A dor crônica, o cansaço extremo e o sono não reparador ainda esbarram em desinformação e estigmas. Apesar de atingir milhões de brasileiros, a fibromialgia continua sendo alvo de diagnósticos demorados e de uma invisibilidade social que prejudica o tratamento. Nesta terça-feira (12), Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, a Sociedade Paranaense de Reumatologia reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre a condição e combater o preconceito.
De acordo com o reumatologista Luiz Augusto Fanhani Cracco, a fibromialgia afeta cerca de 3% da população brasileira, com maior incidência entre mulheres. Ele explica que a condição é uma síndrome de sensibilização central: o sistema nervoso do paciente apresenta uma alteração na regulação dos estímulos dolorosos, amplificando a percepção da dor. “É como se o volume de um rádio estivesse sempre no máximo”, compara.
Além da dor muscular generalizada e crônica, os pacientes sofrem com fadiga, distúrbios do sono, alterações de humor e, em alguns casos, sintomas intestinais e urinários. Apesar dos impactos profundos na rotina, a doença é considerada “invisível” aos exames laboratoriais e de imagem. “Muitas pessoas acreditam que, se os exames estão normais, os sintomas não são reais. Isso contribui para o preconceito e a demora no diagnóstico correto”, afirma o médico. Os exames, segundo ele, servem principalmente para descartar outras doenças e identificar problemas associados, como bursites e artroses.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação médica. O tratamento, por sua vez, exige uma abordagem multidisciplinar. O especialista destaca que a terapia não deve se apoiar apenas em medicamentos. “O principal enfoque está na educação do paciente, na prática regular de atividade física aeróbica, na terapia cognitivo-comportamental e em outras modalidades de reabilitação. Os medicamentos entram como suporte para melhorar o sono e controlar sintomas relacionados ao humor e à dor”, explica. O objetivo é devolver funcionalidade e qualidade de vida.
Neste 12 de maio, a campanha nacional busca ampliar o entendimento sobre a fibromialgia, reduzir o preconceito e estimular o diagnóstico precoce. “Nosso objetivo é esclarecer a população e lutar contra o diagnóstico tardio, que ainda é uma realidade para muitos pacientes”, finaliza o reumatologista.
Com informações de Ace Comunicação.















