Coluna do Chico Santos DESTAQUES DO DIA ESPORTES MARINGÁ PARANÁ ÚLTIMA HORA

Crônica da humilhação: Maringá FC sofre sua maior goleada em casa, capitães são expulsos em jogos seguidos e torcida pede mais gols do adversário

Foto: Luiz Viana/Guarani

O Maringá FC viveu na noite desta segunda-feira (11) a sua noite mais vergonhosa dentro do Estádio Willie Davids. Diante de pouco mais de 2,1 mil torcedores, o time foi atropelado pelo Guarani por 5 a 0, em um desempenho que beirou a humilhação. Não foi uma derrota qualquer. Foi a maior goleada sofrida pelo clube em seus domínios. E o pior: o placar poderia ter sido ainda mais elástico se o adversário quisesse. O Guarani, aliás, não precisou nem se esforçar: depois de construir a vantagem, simplesmente recuou e administrou o resultado, quando quis, atacou novamente e fez mais gols, enquanto o Maringá corria atrás de uma reação que nunca veio.

Expulsões sintomáticas de um time sem disciplina

Os problemas do Dogão não se resumem ao placar. O capitão da noite, Paulinho, foi expulso ainda no primeiro tempo, deixando a equipe com um homem a menos em uma partida já perdida. Na rodada anterior, contra o Itabaiana, o então capitão Guilherme Pira também havia sido expulso. Dois jogos seguidos com o capitão sendo expulso. Um sintoma claro de um time desorganizado, imaturo e sem qualquer controle emocional. O pífio futebol apresentado dentro de campo começa pela falta de liderança e disciplina dentro das quatro linhas.

Pressão fictícia e administração do Guarani

Em certos momentos do segundo tempo, especialmente após o intervalo, o Maringá até tentou pressionar. Negueba acertou o travessão, Danielzinho e Bonifácio criaram algumas jogadas. A torcida, iludida, chegou a se animar. Mas a realidade era outra. Não era o Maringá que impunha respeito. Era o Guarani que, com o placar já consolidado, recuou de forma deliberada, trocando passes e administrando o tempo. O time campineiro, se quisesse, poderia ter feito uma goleada ainda maior. A sensação de quem assistia era de que o adversário apenas poupou energias para os próximos compromissos.

Torcida vaiou, gritou “olé” e pediu mais gols do Guarani

A paciência da torcida, que já era pouca, acabou ainda no primeiro tempo. Desde os minutos iniciais, quando o Guarani já vencia por 3 a 0, era possível ver torcedores deixando o estádio. A saída se intensificou com o quarto gol, aos 20 minutos da etapa final. Mas o pior ainda estava por vir. Na coberta, o setor mais caloroso do Willie Davids, os próprios torcedores do Maringá passaram a gritar “olé” a cada toque de bola do Guarani. Houve quem, tamanha a revolta, pedisse mais gols do adversário. “Queremos seis”, gritava um grupo. Nunca se viu tamanho descaso e insatisfação da própria torcida com seu time.

Demissão do técnico? 

Nos corredores do estádio, após o apito final, o comentário unânime era sobre a iminente demissão do técnico Moisés Egert. É verdade que o treinador tem sua parcela de culpa. Escalações questionáveis, postura tática ingênua e uma defesa que parece não ter treino. Mas seria ele o único responsável por 17 gols sofridos em seis partidas, 11 deles nos últimos três jogos? A verdade é que o elenco é frágil. A diretoria montou um time sem opções confiáveis no banco, sem reforços de peso e com jogadores que, claramente, não têm nível para a Série C. A troca de comando pode até acontecer, mas o problema vai além do treinador. Enquanto o elenco não for revisto, o sofrimento continuará.

Estatísticas assustadoras e futuro nebuloso

Em seis partidas, o Dogão já sofreu 17 gols, uma média de quase três por jogo. Nos últimos três confrontos, foram 11 gols levados. A defesa virou uma peneira, e a cada rodada a sensação é de que o time simplesmente não apresenta evolução. Com a humilhação de ontem, o Maringá caiu para o oitavo lugar, com 9 pontos, na borda da zona de classificação. No sábado (16), o time viaja a Erechim para enfrentar o Ypiranga, quinto colocado, com um ponto a mais. Se não houver uma reação imediata, a temporada pode entrar em colapso ainda na primeira fase.

A torcida que restou foi embora vaiando e com uma pergunta no ar o que ainda resta para este ano? A resposta, infelizmente, parece cada vez mais sombria. O Maringá precisa, urgentemente, de uma reformulação defensiva, de um choque de disciplina e, mais do que isso, de um elenco à altura da Série C. Caso contrário, a temporada será um suplício. A humilhação de hoje ficará na história. Resta saber se servirá de alerta ou apenas como mais um capítulo de um ano que promete ser longo e doloroso.

Sending
User Review
0/10 (0 votes)