Uma investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou que a ex-secretária municipal de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, determinava a eutanásia de animais resgatados enquanto sua instituição arrecadava dinheiro para o tratamento dos mesmos animais nas redes sociais. A informação foi obtida na segunda fase da Operação Carrasco, deflagrada na manhã de segunda-feira (15). Paula e dois veterinários foram presos suspeitos de maus-tratos e associação criminosa.
De acordo com a polícia, em agosto de 2025, o Instituto Paula Lopes publicou um pedido de doações para custear o tratamento da cadela Pedrita, que teria cinomose. No mesmo dia, mensagens atribuídas à ex-secretária indicavam que ela já havia determinado a eutanásia do animal. Em uma das conversas, uma veterinária pergunta: “Direto euta?” — referindo-se ao procedimento. Paula responde: “Pode fazer direto.” Em outro diálogo, ela pede à profissional que não comente o caso com outra protetora envolvida no resgate.
Em outro episódio, Paula teria determinado a eutanásia de um gato com esporotricose, doença tratável. Em mensagem, ela escreveu à veterinária: “Fazer o que tem que ser feito, se é que me entende.” Para os investigadores, a frase seria uma ordem para o procedimento.
A primeira fase da operação já havia indiciado Paula e uma veterinária após a identificação de 498 mortes de animais em oito meses de gestão na secretaria. Na nova fase, dois veterinários foram presos, e outros três tiveram os passaportes apreendidos. Também foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, incluindo em clínicas veterinárias e em um crematório de animais. Uma policial civil é investigada por suspeita de vazar informações sigilosas da primeira fase para Paula.
A defesa da ex-secretária alega que não teve acesso à íntegra da investigação. Os veterinários presos negam as acusações. O Conselho Regional de Medicina Veterinária afirmou que solicitará cópia do inquérito para apurar a conduta dos profissionais. A Prefeitura de Canoas informou que Paula não integra mais o quadro de servidores e que colabora com as investigações. O caso segue sob sigilo.
Com informações de G1.















