Um documento confidencial elaborado pelo Governo do Paraná e apresentado a possíveis investidores em 2025 revelou um contraste no discurso sobre a Celepar durante o processo de privatização da estatal. Enquanto o governador Ratinho Junior classificou a empresa como “obsoleta” ao defender sua venda, o material entregue ao mercado descreve a companhia como “estratégica”, “lucrativa” e “inovadora”.
Em fevereiro, ao justificar a proposta de desestatização, o governador afirmou que diversos órgãos já não utilizavam mais os serviços da empresa por considerar que eles estariam ultrapassados. A declaração foi feita meses depois de o relatório já ter sido apresentado a potenciais compradores.
No material sigiloso, a Celepar é apresentada como a “primeira GovTech brasileira”, com atuação nos 399 municípios paranaenses. O documento também destaca a estatal como uma oportunidade em um setor considerado altamente lucrativo e em expansão.
Entre os dados apresentados, a empresa possui 134 contratos ativos que somam R$ 2,6 bilhões. Em 2024, a Celepar registrou receita líquida de R$ 495 milhões e lucro de R$ 132 milhões. Segundo o relatório, a margem de lucro cresceu 26,8% nos últimos três anos.
O documento também destaca serviços amplamente utilizados pela população, como Nota Paraná, sistemas do Detran, prontuários digitais da saúde, videomonitoramento urbano e plataformas educacionais. Os dez principais clientes da empresa são órgãos públicos estaduais, incluindo a Secretaria da Fazenda, Secretaria de Segurança Pública e o Detran.
Em nota, o Governo do Paraná afirmou que não há contradição entre os discursos. Segundo a gestão estadual, os números financeiros positivos confirmam o potencial da companhia, mas a capacidade de crescimento e inovação estaria limitada pelas regras do setor público. O governo também alegou que a empresa precisaria de maior agilidade operacional para acompanhar o mercado tecnológico.
O processo de privatização da Celepar, aprovado em regime de urgência no fim de 2024, previa leilão na Bolsa de Valores de São Paulo. No entanto, a venda foi suspensa por decisão do ministro do STF, Flávio Dino, que apontou possíveis riscos relacionados à segurança dos dados dos cidadãos paranaenses.
A empresa, fundada em 1964, possui cerca de 980 funcionários e concentra dados considerados estratégicos, incluindo informações de saúde, educação, segurança pública, trânsito e arrecadação. O caso deve voltar à pauta do Supremo nos próximos meses, quando o plenário analisará a decisão que interrompeu a privatização.
Com informações de G1.















