O vereador de Curitiba Lórens Nogueira (PP) se emocionou durante depoimento ao Ministério Público do Paraná e negou a prática de “rachadinha”. Ele é acusado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de exigir parte dos salários de servidores de seu gabinete. Na última quarta-feira (10), o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) aceitou a denúncia, e o parlamentar se tornou réu por concussão.
Imagens obtidas pelo Gaeco mostram o vereador recebendo 5 mil e 600 reais em dinheiro vivo de uma funcionária. Em seu depoimento, Lórens alegou que o valor se referia a um empréstimo de 12 mil reais que ele teria feito à servidora. “Eu fiz um aporte de empréstimo para ela e, desde então, tenho cobrado constantemente para que ela me retorne esse valor”, afirmou.
A funcionária, por sua vez, relatou ao MP que se sentiu pressionada a entregar o dinheiro e que tinha um prazo de dois dias para conseguir cerca de 6 mil reais. Ela também disse que precisava participar de eventos do instituto presidido pelo vereador aos finais de semana e feriados, sem receber vale-transporte ou alimentação adequados. Os investigadores suspeitam que o esquema envolvia todos os 12 servidores nomeados por ele, alguns dos quais teriam de repassar mais da metade do salário ao parlamentar.
Durante a operação do Gaeco, foram apreendidos uma mala com cerca de 70 mil reais em dinheiro vivo e uma mochila com 12 mil reais em envelopes. Lórens afirmou que o dinheiro era fruto de economias acumuladas desde 2015, quando começou a atuar como assessor político.
O Ministério Público pediu o afastamento do vereador do cargo. A Justiça deu prazo de dez dias para a defesa se manifestar antes de decidir. No fim de maio, a Câmara Municipal de Curitiba admitiu uma representação por quebra de decoro parlamentar contra ele, que pode resultar em cassação. Lórens já havia pedido para deixar a presidência do Conselho de Ética da Casa após a repercussão do caso.
A defesa do vereador informou que ainda não foi notificada oficialmente da decisão e que se manifestará quando tiver acesso aos autos. O caso segue em investigação.
Com informações de G1.















