Um homem de 69 anos foi resgatado de uma situação análoga à escravidão em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, na quarta-feira (27). A ação foi realizada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e pela Polícia Federal (PF), que recebeu denúncias. O nome da empresa não foi divulgado.
Segundo o auditor-fiscal Antonio Luiz Fabris Júnior, o idoso não possuía cama ou quarto. Ele improvisou um dormitório na cabine de um caminhão. A vítima era obrigada a trabalhar 24 horas por dia como vigilante em uma empresa de venda e locação de carros e máquinas, sem contrato de trabalho ou carteira assinada. Ele recebia R$ 400 por semana.
O acesso à cabine era feito por uma escada elevada, o que se agravava pelas limitações de locomoção do idoso, que tinha dificuldade para caminhar em razão da idade e de comorbidades. O local não tinha água encanada. Para comprar alimento, ele precisava sair correndo até um mercado próximo, já que tinha a responsabilidade de manter vigilância total na empresa. A água potável era obtida caminhando por uma estrada de terra até uma empresa vizinha, a cerca de 100 metros, carregando galões manualmente. O banho era tomado esporadicamente na empresa vizinha, por solidariedade dos vizinhos.
A cozinha era precária, com apenas um fogão de duas bocas, e o trabalhador não tinha espaço adequado para organizar seus pertences. As condições de sono eram degradantes: a cabine do caminhão estava suja e contava apenas com cobertas finas, mesmo diante das baixas temperaturas noturnas na região.
Diante da situação, os auditores caracterizaram o trabalho análogo à escravidão. Após o resgate, a rede de assistência social foi acionada para atendimento imediato, com disponibilização de medicamentos, assistência médica e acompanhamento social. O idoso, natural de Tibagi e morador de Ponta Grossa há alguns anos, vivia na empresa desde junho de 2025. Ele foi encaminhado a um abrigo.
A empresa e seus responsáveis serão investigados e poderão responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, com pena de até oito anos de prisão, além de multa e sanções trabalhistas. Denúncias de casos semelhantes podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela SIT.
Com informações de G1.















