Um caminho cascalhado no último sábado (25) às margens da BR‑376, em Marialva, tornou‑se alvo de uma disputa entre a Prefeitura Municipal e a concessionária EPR Paraná. A via, aberta por máquinas do município, teria sido criada para garantir acesso a moradores da zona rural afetados pela instalação de pórticos de pedágio. No entanto, a concessionária alega que a estrada pode representar uma invasão à faixa de domínio da rodovia federal, além de configurar desvio irregular e possível supressão vegetal.
Segundo apuração, a iniciativa foi determinada pela prefeita Flávia Cheroni com o objetivo de evitar o isolamento de famílias que dependem da rodovia para transporte escolar, acesso a serviços de saúde e escoamento da produção agrícola. O carreador liga dezenas de propriedades à entrada da Estrada Keller. A prefeitura chegou a realizar um cadastro de moradores lindeiros e o encaminhou à concessionária, mas, até o momento, não houve garantia de isenção tarifária para esse público.
Do outro lado, o diretor‑presidente da EPR Paraná, Marcos Moreira, afirmou que levantamentos preliminares indicam invasão da faixa de domínio, área pertencente à União e sob responsabilidade da concessionária durante a vigência do contrato. “Houve possível supressão vegetal, o que deve ser analisado pelos órgãos ambientais competentes”, declarou. Ele classificou a abertura da estrada como uma tentativa de burlar um serviço público, comparando a situação a ligações clandestinas de água.
A empresa ressaltou que o modelo de concessão foi definido com base em estudos técnicos e aprovado pelo poder concedente, incluindo a localização dos pórticos de cobrança. Rotas ilegítimas de fuga, segundo a EPR, prejudicam o equilíbrio econômico‑financeiro do contrato, comprometem investimentos e colocam em risco a segurança dos usuários. O contrato prevê investimentos de R$ 11,8 bilhões em 30 anos, descontos tarifários que podem chegar a 93% para usuários frequentes e isenção para motociclistas.
Procurada, a Prefeitura de Marialva informou que não irá se manifestar sobre o caso neste momento. A concessionária afirma que está em diálogo com as autoridades e que adotará as medidas cabíveis para garantir a prestação adequada do serviço e a sustentabilidade do contrato. A expectativa é de que a situação seja revertida e que o acesso irregular seja fechado. O caso pode ainda ser analisado por órgãos ambientais e pela União.
Com informações de GMC.















