Segundo o New York Times, o presidente Donald Trump apresentou um requerimento para receber US$ 230 milhões (cerca de R$ 1,238 bilhão) do Departamento de Justiça como compensação por investigações federais que o tiveram como alvo durante o governo Joe Biden. O jornal afirma que a situação não tem paralelo na história dos EUA e levanta dilemas éticos, já que parte dos funcionários que teriam de avaliar o pedido foi indicada por Trump ou atuou como seus advogados antes de ele voltar à Casa Branca.
De acordo com a reportagem, o ressarcimento é pleiteado por supostas violações em duas investigações: a que tratou de interferência russa nas eleições de 2016 — na qual o relatório do procurador especial Robert Mueller não encontrou provas de conspiração, mas não isentou Trump de obstrução de justiça — e a busca do FBI em Mar-a-Lago (2022), quando foram apreendidas mais de 100 páginas com marcações de “confidencial” a “ultrassecreto” em diferentes cômodos da residência. Trump não foi acusado nesses casos e, segundo o texto, todas as investigações foram encerradas após seu retorno ao poder.
O pedido foi apresentado como reclamação administrativa; se não houver acordo, a defesa pode judicializar. Em fala recente no Salão Oval (15/10), Trump fez referência indireta ao tema, ao dizer que tinha um processo “muito forte” e ironizou a possibilidade de “me processar” após assumir a Presidência.
Para o professor de ética Bennett L. Gershman (Universidade Pace), citado pelo jornal, o conflito ético é evidente: subordinados do Executivo decidiriam sobre indenização ao próprio chefe. Especialistas ouvidos apontam que a análise pelo Departamento de Justiça — composto por indicados do presidente — cria um impasse institucional sobre imparcialidade e governança.
Status: o requerimento de US$ 230 milhões foi protocolado; caberá ao Departamento de Justiça avaliar a admissibilidade e o mérito da pretensão. Se negado ou inconcluso, o caminho é a Justiça federal.
Com informações de G1.















