Creche avisou pai apenas que bebê “passou mal”; criança morreu após ficar presa em grade por sete minutos

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, morreu na manhã da última quarta-feira (22) após ficar com a cabeça presa entre uma grade e uma parede na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo. Mensagens enviadas por funcionários da unidade ao pai da criança informaram apenas que o bebê havia “passado mal”, sem mencionar a gravidade do acidente.

Segundo o boletim de ocorrência, a criança participava de uma atividade recreativa quando colocou a cabeça no espaço entre a grade e a parede. Ela permaneceu presa por aproximadamente sete minutos até ser retirada pelos funcionários. Foi levada para a UPA Mooca, onde recebeu atendimento, mas não resistiu.

Mensagens à família

As conversas mostram que às 9h18 a creche enviou ao pai: “Oie, bom dia. O Abdoulaye passou mal. Estamos levando ele para o hospital.” Em seguida, houve uma ligação de cerca de 30 segundos. Na sequência, uma nova mensagem informou o destino: “UBS Mooca, UBS Mooca.”

O advogado da família, Erson de Oliveira, afirmou que as mensagens transmitiram a impressão de que o quadro não era tão grave. “Eles mandaram uma mensagem dizendo que a criança tinha passado mal. Os pais acreditaram que o filho estava passando por um atendimento médico”, disse. Segundo ele, a forma como a família foi comunicada também será levada em consideração na investigação.

Aniversário de diretora

De acordo com o advogado, funcionários da creche participavam de uma confraternização em comemoração ao aniversário da diretora no momento do acidente. A comemoração acontecia no refeitório da unidade. “Juntou todos os funcionários e largaram as crianças à própria sorte”, afirmou Erson. O boletim de ocorrência registra que a diretora nasceu em 22 de julho de 1990, mesma data da morte do bebê.

Segundo ele, foi durante esse período que Abdoulaye entrou em uma sala usada para aulas de ballet e ficou preso entre a estrutura metálica e a parede.

Investigação

O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás). Cinco funcionários são investigados: a diretora, a coordenadora, uma professora, uma pedagoga e outro funcionário da instituição.

A Polícia Civil requisitou perícia ao Instituto de Criminalística e exames ao Instituto Médico Legal. Imagens das câmeras de segurança da creche também fazem parte da apuração.

A Secretaria Municipal de Educação afirmou que instaurou procedimento administrativo, presta assistência à família e colabora com as investigações. A sala onde ocorreu o acidente permanece interditada para análise técnica.

Com informações de Metrópoles.

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