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Senado rejeita indicação de Jorge Messias ao STF em votação histórica; governo atribui revés a falhas na articulação política

Foto: Divulgação

O plenário do Senado Federal rejeitou na noite desta quarta-feira (29) o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas 34 senadores votaram a favor da indicação, contra 42. O resultado representa a maior resistência aberta a um nome indicado à Corte no últimos 120 anos.

O placar também vai na contramão da série histórica recente. Messias obteve menos votos que os ministros Cristiano Zanin (58 votos favoráveis contra 18) e Flávio Dino (47 a 31), ambos indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O próprio governo avalia que houve falhas na articulação política no Congresso, com lideranças que não conseguiram antecipar o resultado adverso.

Lula indica novo nome e acelera escolha

Apesar do revés, Lula sinalizou a aliados reunidos no Palácio da Alvorada que não pretende abrir mão da prerrogativa de indicar um ministro para o Supremo. O presidente afirmou que escolherá um novo nome nas próximas semanas. Messias, que esteve presente na reunião, recebeu o resultado com tranquilidade.

A votação, no entanto, acendeu alertas no Planalto. Aliados apontam que houve traições na base governista e que episódios como a derrota podem impactar a relação do governo com lideranças do Congresso, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não acatou pedido de adiamento da votação já quando o cenário se mostrava desfavorável.

Articulação nos bastidores envolveu ministros do STF

Nos bastidores, a rejeição de Messias também foi influenciada por uma inusitada aliança entre o presidente do Senado e o ministro Alexandre de Moraes. Conforme relatos, Moraes operou para reforçar a campanha contra o indicado, mobilizando emissários para angariar votos “não”. O movimento teria ocorrido para impedir que André Mendonça ganhasse um aliado no plenário do STF, preservando a atual correlação de forças internas.

Mendonça foi um dos principais cabos eleitorais de Messias nos últimos meses, especialmente entre parlamentares conservadores. Após a derrota, ele prestou solidariedade nas redes sociais: “O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida”.

O episódio expõe ainda as tensões envolvendo o caso Master, sob relatoria de Mendonça, além da influência de Flávio Dino e do próprio Moraes, que enxergava a chegada de Messias como uma ameaça aos seus interesses na Corte.

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