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Prisão quase 20 anos após morte de menina expõe possível erro investigativo e inocentes acusados por suposto ritual no Paraná

Foto: PCPR

A prisão de Martônio Alves Batista, suspeito de matar Giovanna dos Reis Costa, reacendeu um dos casos mais marcantes do Paraná e revelou possíveis falhas graves nas investigações iniciais. A menina, de 9 anos, foi assassinada em abril de 2006 em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Antes da nova linha investigativa, três pessoas chegaram a ser presas e levadas a julgamento sob a tese de que o crime teria sido cometido em um suposto ritual, versão que mais tarde se mostrou sem provas.

Foto: Arquivo/Cedido pela família/RPC

Giovanna desapareceu no dia 10 de abril daquele ano enquanto vendia rifas escolares e foi encontrada dois dias depois em um terreno baldio, com o corpo envolto em sacos plásticos e sinais extremos de violência. Na época, a investigação se concentrou em uma narrativa construída após a descoberta de objetos ligados à leitura de cartas em uma residência vizinha à casa do suspeito atual. Dois homens e uma mulher ficaram presos entre 2007 e 2012, até serem absolvidos pelo Tribunal do Júri a pedido do próprio Ministério Público do Paraná, por falta de elementos que os ligassem ao crime.

Segundo a delegada Camila Cecconello, responsável pela reabertura do caso, Martônio já havia sido considerado suspeito em 2006, mas acabou liberado. Naquele período, policiais encontraram indícios que hoje voltaram a ganhar relevância, como um fio semelhante ao utilizado para amarrar o corpo da vítima e sinais de limpeza recente na residência dele. Ainda assim, a investigação seguiu outro caminho.

O caso foi retomado anos depois após a denúncia de uma ex-enteada, que relatou abusos sexuais e afirmou que era ameaçada com referências diretas ao assassinato da menina. Com novos depoimentos e relatos de ex-companheiras, a polícia reuniu elementos que indicam que o suspeito teria atraído Giovanna para dentro da casa sob o pretexto de pagar pelas rifas, cometido o crime e depois ocultado o corpo em outra área, deixando as roupas em local diferente para desviar as investigações.

Martônio foi preso preventivamente em Londrina quase duas décadas após o crime e é investigado por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. A defesa informou que ainda não teve acesso ao processo. A delegada destacou que a reabertura do inquérito ocorreu poucos meses antes do prazo de prescrição, o que foi decisivo para permitir o avanço das investigações.

Testemunhas ouvidas recentemente afirmaram que o suspeito chegou a debochar da polícia ao longo dos anos, dizendo que ninguém o responsabilizaria pelo crime. O inquérito deve ser concluído e encaminhado ao Ministério Público nos próximos dias, etapa que definirá os próximos desdobramentos judiciais.

Com informações de G1.

Foto: Redes Sociais
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