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PF prende desembargador relator do caso TH Joias por suspeita de vazamento ao Comando Vermelho

Foto: Alex Ramos/Alerj/Domingos Peixoto.

A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira, 16 de dezembro, o desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no desdobramento da Operação Unha e Carne 2, que apura vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Macário é o relator do processo que envolve o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias, preso por ligação direta com a facção.

A nova fase ocorre dias após a PF deter o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, pela mesma suspeita. Solto na semana passada, Bacellar cumpre medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, como afastamento da presidência, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e permanência em casa aos fins de semana e feriados.

Segundo as investigações, o magistrado teria atuado para favorecer o grupo criminoso a partir de acesso a dados judiciais sensíveis. Macário chegou à sede da PF no Centro do Rio conduzido em viatura descaracterizada para prestar depoimento, após mandado de prisão expedido no âmbito da operação.

A trajetória do desembargador inclui um longo período de afastamento. Em 2005, quando era juiz federal no Espírito Santo, ele foi afastado por decisão do TRF-2 em ação penal que apurava venda de sentenças ligada à máfia dos caça-níqueis. Em 2015, o CNJ suspendeu a aposentadoria compulsória aplicada pelo tribunal por não atender ao quórum constitucional, mantendo o magistrado no quadro. Em novembro de 2022, o CNJ reconheceu que o prazo para julgamento de um processo administrativo disciplinar havia sido extrapolado e determinou sua reintegração. Em maio de 2023, Macário foi promovido a desembargador pelo critério de antiguidade e tomou posse no TRF-2.

Outro ponto sob escrutínio público é que a esposa do magistrado, Flávia Júdice, atuou até o mês passado no gabinete da diretoria-geral da Alerj, período em que já corriam as apurações envolvendo TH Joias e Bacellar. A PF não detalhou eventual relação das funções dela com a investigação e, até aqui, seu nome aparece apenas como conexão institucional.

A PF afirma que a Operação Unha e Carne 2 prossegue para esclarecer a extensão dos vazamentos, identificar beneficiários e eventuais contrapartidas, bem como apurar responsabilidades administrativas e criminais.

Com informações de O Globo.

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