Maringá FC estreia na Série C com vitória de virada: primeiro tempo para esquecer, segundo para elogiar. Mas qual time vai aparecer nas próximas rodadas?
Foi sofrido, foi dramático, foi daqueles jogos que tiram o torcedor do sério e ao mesmo tempo o levam ao delírio. O Maringá FC estreou na Série C do Brasileiro com uma vitória de virada por 3 a 2 sobre a Ferroviária, no Willie Davids, mas deixou mais perguntas do que respostas no gramado. A pergunta que fica é: qual versão do Dogão veremos daqui para frente? A do primeiro tempo, apática, sem criatividade e vaiada pela própria torcida? Ou a do segundo tempo, pressionante, aguerrida e eficiente?
Primeiro tempo sonolento: posse de bola sem criatividade
A Ferroviária, mesmo com um time reserva e o auxiliar técnico no banco, mostrou que não veio para brincar. Aos 12 minutos, Denilson cruzou da esquerda para trás, e Vinni Faria apareceu nas costas da defesa do Dogão para testar forte no canto esquerdo de Guilherme Neto: 1 a 0. O Maringá até ficou mais com a bola, mas não conseguiu criar nada de perigo. Foi toque lateral, toque para trás, sem velocidade, sem criatividade. A melhor chance só veio aos 39, quando Giovane Gomez escorou de cabeça para Bonifácio, que finalizou colocado à direita do gol da Ferroviária. Nada mais. A torcida, impaciente, foi para o intervalo vaiando.
Segundo tempo de raça: pressão, empate e virada heroica
O intervalo fez bem. Moisés Egert ajustou a equipe, e o Dogão voltou com outra postura. Aos 15 minutos, Ronald Camarão limpou a jogada na entrada da área e bateu forte no canto esquerdo: 1 a 1. A torcida ainda comemorava quando, no minuto seguinte, Fábio Fau foi derrubado pelo goleiro Gui Neto dentro da área. Pênalti marcado. Denilson bateu bem e recolocou a Ferroviária em vantagem: 2 a 1.
Dessa vez, o Maringá não desmoronou. Foi para cima e empatou novamente aos 30. Danielzinho arriscou de longe, Léo Wall deu rebote no meio da área, e Negueba soltou a pancada: 2 a 2. A virada veio pouco depois. Giovane Gómez chutou, a bola bateu no braço de um defensor afeano, e o árbitro marcou pênalti. Negueba, frio e preciso, deslocou o goleiro e garantiu a vitória paranaense por 3 a 2.
O que funciona e o que preocupa
O segundo tempo mostrou um time com personalidade, capaz de pressionar e reagir. A entrada de Danielzinho deu mais dinamismo ao meio, e Negueba, novamente, foi o nome do jogo com dois gols decisivos. Por outro lado, o primeiro tempo expôs fragilidades sérias: falta de criatividade, dificuldade de furar bloqueios baixos e erros individuais que quase custaram caro. Cauã Tavares e Tiago Rosa tiveram atuações para esquecer, e a defesa ainda parece frágil.
A dúvida que fica
A vitória foi importante, mas contra um time reserva, não se poderia aceitar outro resultado. Agora, o Maringá enfrenta o Figueirense no Orlando Scarpelli, na segunda-feira (13), um adversário tradicional e longe de casa. Lá, não haverá a força da torcida para empurrar. A pergunta que o técnico Moisés Egert precisa responder é: qual Maringá vai a campo? O sonolento do primeiro tempo ou o aguerrido do segundo? A Série C é longa, mas o alerta já foi dado. O torcedor espera que o time tenha aprendido a lição.