O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, vereador Tico Kuzma (PSD), foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná na manhã desta segunda-feira (29). A ação, batizada de “Prática Corrente”, investiga a suspeita de venda de cargos públicos e a prática de “rachadinha” envolvendo o parlamentar.
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados, incluindo o gabinete do vereador na Câmara Municipal e a residência dele. Durante as diligências, os agentes apreenderam equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 37 mil em dinheiro em espécie. O Gaeco não divulgou a identidade de todos os alvos da operação.
De acordo com as investigações, que tiveram início há cerca de um ano, Tico Kuzma teria cobrado cerca de R$ 3 mil para indicar nomes para ocupar cargos públicos na Prefeitura de Curitiba. Além disso, o parlamentar teria cobrado uma contrapartida de parte do salário desses servidores, caracterizando a prática conhecida como “rachadinha”. Ainda não se sabe quantos cargos ele tinha à disposição para fazer essas indicações nem por quantos teria cobrado.
Reação do vereador
Durante a sessão ordinária da Câmara desta segunda-feira, Tico Kuzma fez um pronunciamento e se defendeu das acusações. Ele suspendeu a sessão pouco depois, mas retomou os trabalhos em seguida.
Em nota, o vereador afirmou que ainda não tem “conhecimento formal sobre os fatos que motivaram a medida” e que busca informações junto às autoridades. “Estou buscando imediatamente as informações necessárias junto às autoridades competentes para compreender com clareza o teor da investigação”, disse. Ele também fez um apelo pessoal, afirmando que “quem vive a vida pública sabe que, especialmente quando se aproxima um período eleitoral, infelizmente surgem pessoas de má-fé criando fatos e narrativas para atingir reputações”.
Posicionamento das instituições
Em nota, a Câmara Municipal de Curitiba informou que autorizou o acesso às dependências do Legislativo e permanece à disposição para colaborar com as investigações. “Até o momento, a Câmara Municipal de Curitiba não foi formalmente comunicada sobre os fatos que motivaram a medida”, diz o comunicado.
A Prefeitura de Curitiba também se manifestou, afirmando que está à disposição das autoridades para prestar informações e colaborar integralmente com as investigações. A gestão municipal declarou que “as nomeações para cargos em comissão no Poder Executivo seguem critérios técnicos e administrativos” e que não há tolerância com condutas irregulares. Caso sejam confirmadas irregularidades, a Prefeitura afirmou que determinará o imediato afastamento dos envolvidos.
O nome da operação, “Prática Corrente”, faz referência às sucessivas investigações do Ministério Público relacionadas ao crime de “rachadinha”. O caso tramita sob segredo de Justiça.















