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Cárcere por cinco anos: condenado no Paraná ficou preso oito vezes menos tempo do que manteve mulher trancada em casa

Foto: PMPR

Jean Machado Ribas, condenado por manter a companheira em cárcere privado em Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, cumpriu cerca de dez meses de prisão, tempo oito vezes menor do que os cinco anos que a vítima ficou trancada dentro de casa em contexto de violência doméstica. O caso veio à tona em março de 2025, quando a mulher foi resgatada com o filho de 4 anos após conseguir enviar um e-mail pedindo ajuda à Casa da Mulher Brasileira.

À época, a vítima relatou que Jean a agredia com socos, vigiava os passos dela por meio de uma câmera de segurança e não permitia que tivesse contato com outras pessoas sem a presença dele. O filho do casal também vivia isolado e presenciava as agressões.

Linha do tempo das prisões e solturas

Após o resgate, Jean foi preso em flagrante, interrogado e liberado. Na sequência, fugiu. Em abril de 2025, se entregou à polícia e passou a cumprir prisão preventiva. Em novembro, foi condenado a seis anos de prisão em regime semiaberto e colocado em liberdade. Uma semana depois, voltou a ser preso. Em janeiro de 2026, foi solto novamente após conseguir o direito de cumprir a pena em regime semiaberto com tornozeleira eletrônica.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu a revisão da pena por descumprimento de medida protetiva, o que elevaria a condenação para mais de 10 anos em regime fechado. O órgão também solicitou a prisão imediata de Jean. O pedido foi aceito pela Justiça, e ele pode ser novamente enviado ao sistema prisional a qualquer momento. O caso está em fase de recurso.

Dados sobre cárcere privado

No Paraná, um caso de cárcere privado é registrado a cada 15 horas. Em 2025, foram 582 ocorrências no estado, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Em janeiro de 2026, foram 361 novos processos no Brasil, o equivalente a um registro a cada duas horas.

A delegada Emanuele Maria de Oliveira Siqueira destaca que o crime nem sempre é explícito e pode incluir formas de controle psicológico. “Às vezes a mulher não está impedida de sair ou de ter acesso ao celular, mas tem um cárcere psicológico, porque o agressor ameaça ela constantemente”, explica. A orientação é que vizinhos e conhecidos fiquem atentos a sinais de isolamento e acionem a polícia pelo 190 ou 153.

Com informações de G1.

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