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Câmara Municipal de Sarandi aprova reajuste de 15% na conta de agua – valor acima da média do Paraná em 2025

Foto: Reprodução/Canal de CMS/Youtube

Em Sarandi, no norte do Paraná, a Câmara Municipal aprovou um polêmico reajuste de 15% nas tarifas de água e esgoto da cidade. A votação ocorreu em sessão extraordinária no dia 29 de dezembro de 2025 e resultou em 8 votos a favor e 1 contra – o único vereador contrário foi Aparecido Bianco (PT). A medida, proposta pelo prefeito Carlos de Paula e encaminhada em regime de urgência, autoriza o aumento a partir de 2026, após sanção do Executivo. O rápido trâmite (a discussão ocorreu em turno único) gerou indignação: a sessão foi marcada por tensão e bate-boca entre um servidor comissionado da prefeitura e moradores que acompanhavam a votação. Muitos moradores lotaram o plenário em protesto, reclamando que já sofrem com constantes faltas d’água e serviço precário, e consideram um absurdo ter que pagar mais por um fornecimento tão problemático.

Serviço precário gera revolta popular

O abastecimento de água em Sarandi vem enfrentando falhas frequentes. Apenas dez dias antes da votação do reajuste, por exemplo, moradores do Jardim Monte Castelo ficaram um fim de semana inteiro sem água, devido à queima de uma bomba na rede de distribuição. Casos assim têm sido recorrentes em vários bairros, levando a uma enxurrada de reclamações. Durante a sessão extraordinária, muitos cidadãos lembraram que as torneiras vivem secas e cobraram melhorias imediatas antes de qualquer aumento tarifário. O clima foi de revolta: houve discussões acaloradas, vaias e protestos no plenário, reflexo da insatisfação popular em pagar 15% a mais por um serviço considerado deficiente. “É um presente de grego”, queixou-se um morador nas redes sociais, resumindo o sentimento geral da comunidade.

Quanto vai subir na conta de água?

Com o reajuste aprovado, as tarifas básicas de água e esgoto de Sarandi terão um salto significativo. A taxa mínima de água residencial, hoje em R$ 28,98 por m³, passará para R$ 34,98 por m³; já a tarifa de esgoto sobe de R$ 20,29 por m³ para R$ 24,48 por m³. Na prática, uma conta mensal básica (considerando os serviços de água e esgoto) que atualmente soma R$ 49,27 aumentará para R$ 59,46 após a correção. Isso representa R$ 10,19 a mais por mês no bolso do consumidor apenas na tarifa mínima. Para quem consome além do mínimo, o impacto será ainda maior proporcionalmente. O diretor-geral da autarquia local, César Foss, explicou em entrevista que o acréscimo de 15% equivale, em média, a R$ 6 a mais na conta de água por mês para a maioria dos consumidores. Apesar de aparentemente pequeno em valor nominal, o aumento preocupa moradores de baixa renda e comerciantes, que já lidam com custos elevados e poderão sentir o peso extra na despesa mensal de saneamento.

Prefeitura alega tarifas defasadas e necessidade de investimentos

Diante da enxurrada de críticas, a Autarquia Águas de Sarandi – responsável pelo serviço de saneamento municipal – divulgou nota oficial defendendo o reajuste. Segundo a autarquia, as tarifas atuais estão defasadas há anos e não cobrem os custos operacionais do sistema. A última correção havia sido de 4,97% (um ajuste inflacionário aplicado recentemente), mas ainda insuficiente para equilibrar as contas. “Os valores praticados atualmente estão defasados e são insuficientes para cobrir todos os custos do sistema”, afirmou o comunicado. A Águas de Sarandi argumenta que o aumento de 15% é essencial para manter a operação e evitar colapsos no abastecimento, permitindo trocar equipamentos obsoletos, realizar manutenções preventivas e investir na expansão da rede. O objetivo – alega a prefeitura – não é meramente arrecadatório, mas sim garantir a continuidade e a qualidade do serviço de água e esgoto.

A administração municipal também procurou contextualizar o reajuste, comparando as tarifas locais com as de outras cidades. De acordo com a nota técnica apresentada aos vereadores, Sarandi tem hoje uma das tarifas de saneamento mais baixas do Paraná. Em municípios atendidos pela Sanepar (companhia estadual de saneamento), a tarifa de água e esgoto para uma família pode chegar a R$ 96,73 na conta mínima, e se o consumo atingir 10 m³ mensais, o valor ultrapassa R$ 190,00. Ou seja, mesmo após o reajuste, o usuário sarandiense continuará pagando cerca de um quarto do que paga um usuário médio em outras cidades paranaenses. “As taxas em Sarandi estão defasadas; mesmo com o aumento, a tarifa local não vai ficar cara nem acima da média de outras companhias”, defende a autarquia, ressaltando que o novo valor ainda deixa Sarandi bem abaixo de municípios regulados pela Agepar/Sanepar A comparação sugere que, sem o reajuste, a viabilidade do serviço local ficaria comprometida – chegando-se a cogitar, nos bastidores, a possibilidade de repassar o serviço à Sanepar caso a situação financeira da autarquia não se sustentasse. Por isso, a gestão Carlos de Paula optou por bancar o aumento agora, apostando que os moradores entenderão o esforço para evitar um colapso do sistema de água no futuro.

Sarandi entre os maiores reajustes do Paraná em 2025

O aumento de Sarandi chamou atenção por seu percentual elevado, figurando entre os maiores reajustes tarifários do Paraná em 2025. Para comparação, a maioria dos municípios paranaenses atendidos pela Sanepar teve neste ano apenas o reajuste anual de 3,78% autorizado pela agência reguladora estadual (Agepar) – índice bem próximo da inflação e muito inferior ao aprovado em Sarandi. Ou seja, enquanto a conta de água na capital e em diversas cidades subiu menos de 4% no ano, em Sarandi a alta será de 15%, evidenciando o descompasso.

Houve, contudo, casos excepcionais no estado. Paranaguá, no Litoral, enfrentou um aumento ainda maior que o de Sarandi: 23,92% de reajuste nas tarifas de água e esgoto em 2025. Esse índice elevadíssimo foi consequência de uma decisão judicial que permitiu à concessionária privada Paranaguá Saneamento aplicar de uma só vez reajustes retroativos referentes a 2021 e 2022. A medida gerou forte reação do prefeito Adriano Ramos, que classificou o aumento como “abusivo e injusto” e anunciou que iria recorrer na Justiça. Em meio à polêmica, a prefeitura de Paranaguá chegou a multar a concessionária e cogitar a rescisão do contrato, tamanha a revolta com o impacto nas contas da população. Ou seja, embora Sarandi tenha aprovado o maior reajuste por iniciativa própria de um município em 2025, Paranaguá acabou tendo uma elevação tarifária ainda superior – imposta judicialmente e contestada pelas autoridades locais.

Outra cidade que promoveu reajuste significativo foi Bandeirantes, no norte pioneiro do Paraná. Lá, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) municipal implementou em maio/2025 uma nova estrutura tarifária, elevando a tarifa mínima de R$ 33,54 para R$ 41,84 (já incluindo esgoto). Essa mudança representa aproximadamente 25% de aumento na conta básica, percentual comparável ao caso de Paranaguá e bem acima do verificado em Sarandi. A diferença é que, em Bandeirantes, a expansão das tarifas ocorreu de forma planejada, junto com a reestruturação da tabela de cobrança (por exemplo, aumentando a taxa de esgoto de 40% para 50% do valor da água). Ainda assim, a direção do SAAE local fez questão de salientar que, mesmo com a alta, Bandeirantes continuaria com tarifas competitivas frente a outros municípios – argumentação semelhante à utilizada em Sarandi.

Diante desse panorama, o 15% de Sarandi destaca-se como um dos maiores reajustes do ano no Paraná, principalmente no contexto das cidades da Região Metropolitana de Maringá (onde a maior parte segue os índices modestos da Sanepar). Em termos percentuais, Sarandi só ficou atrás do caso extraordinário de Paranaguá (23,9%) e ficou próxima de Bandeirantes (~25%).

Crítica e expectativa: pagar mais, mas ter água nas torneiras

Moradores e líderes comunitários reconhecem a necessidade de investimentos, porém criticam a falta de planejamento que levou a um aumento brusco e em cima da hora, quase no apagar das luzes de 2025. A sensação é de que a população está pagando a conta por anos de possível má gestão ou falta de manutenção adequada no sistema de água. “Cobrar mais caro de uma população que já sofre com falta d’água é, no mínimo, uma falta de respeito”, disse um participante dos protestos na Câmara, resumindo a indignação geral. Por outro lado, há quem veja o reajuste como um “mal necessário”: alguns observadores apontam que, de fato, Sarandi praticava tarifas muito baixas em comparação a cidades vizinhas e que, sem corrigir esse valor, o colapso do serviço seria questão de tempo.

Agora, sancionada a lei (o prefeito deve confirmar o aumento sem vetos, já que ele mesmo propôs o projeto), resta a expectativa de melhorias concretas no abastecimento. A Águas de Sarandi prometeu que o dinheiro extra será revertido em benfeitorias: novos poços, bombas reservas, troca de tubulações antigas e ampliação da capacidade de tratamento – medidas para que faltas d’água como as atuais se tornem coisa do passado. A população, embora desconfiada, espera que em 2026 essas promessas saiam do papel. Pagar mais caro por água somente se justificará se finalmente houver água nas torneiras de forma regular e de qualidade. Até lá, o tema continua rendendo críticas nas redes sociais e será, com certeza, um dos pontos de pressão sobre a administração municipal daqui em diante. Como bem disse um morador: “Aceitamos pagar, mas queremos ver resultado” – um recado simples que ecoa em Sarandi após o reajuste mais controverso do ano.

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