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Gaeco prende integrantes de quadrilha que vendia lotes ilegais e planejava matar promotor no Paraná

Foto: Divulgação/MPPR

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a segunda fase da Operação Miragem em Ibiporã, no norte do estado. A ação investiga uma associação criminosa suspeita de explorar loteamentos clandestinos, lavar dinheiro e orquestrar atos de intimidação contra agentes públicos, incluindo o planejamento do assassinato de um promotor de Justiça e o sequestro de fiscais municipais.

Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão expedidos pela Justiça local. As apurações revelaram que o líder do grupo proferiu ameaças diretas de morte contra o promotor responsável pelas investigações, afirmando em áudios que iria “sumir com ele, literalmente”. Os suspeitos monitoravam perfis de familiares da autoridade nas redes sociais e debatiam atos coordenados de violência na região. O grupo chegou a planejar um atentado a tiros contra o transformador de energia do Fórum de Ibiporã, com o objetivo de provocar um apagão e sabotar uma audiência pública que discutiria as irregularidades dos loteamentos.

Na esfera financeira, a quadrilha atuava na venda de terrenos nos loteamentos irregulares Recanto Água Bonita e Recanto dos Sonhos, localizados na zona rural de Ibiporã. Os empreendimentos somavam mais de cem mil metros quadrados subdivididos em dezenas de lotes, comercializados sem licença ambiental ou alvará urbanístico. Quando a Justiça cível determinou a paralisação das vendas e exigiu a apresentação dos contratos, os líderes do esquema esconderam os documentos físicos em um sítio, apagaram arquivos em nuvem e mentiram no processo, alegando perda de dados por falha em disco rígido.

Mesmo com as contas bloqueadas e proibidos judicialmente de receber novos valores, os investigados continuaram cobrando as vítimas. Criaram uma empresa de fachada no nome da irmã do líder e informavam aos compradores que a conta principal passava por “instabilidade bancária”, orientando pagamentos via Pix para o novo CNPJ ou para a conta do escritório de advocacia ligado ao grupo. O rastreamento apontou que o dinheiro era rapidamente transferido e incorporado ao patrimônio pessoal da advogada da quadrilha.

Para frear as atividades e garantir reparação às 62 famílias lesadas, os juízos Criminal e das Garantias de Ibiporã determinaram a quebra da inviolabilidade profissional da advogada investigada e o bloqueio de até R$ 3,5 milhões em bens, imóveis e contas ligadas aos suspeitos, valor correspondente ao montante obtido ilegalmente pelo esquema. O caso segue em investigação.

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