Cinco meses após tornado devastador, cidade do Paraná recebeu R$ 35,5 milhões, mas usou apenas 34%
Passados cinco meses do tornado de categoria F4 que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, em 7 de novembro de 2025, os cofres municipais receberam R$ 35.592.251,42 em recursos públicos e doações. No entanto, segundo dados do Sistema de Informações Municipais (SIM), acompanhado pelo Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR), apenas 34% desse montante (cerca de R$ 12 milhões) foi efetivamente empenhado, ou seja, destinado a gastos concretos. A maior parte dos recursos empenhados, R$ 11 milhões, veio do Fundo Estadual da Defesa Civil e foi usada principalmente na compra de novos ônibus escolares.
Os valores na conta do município incluem repasses do Governo Federal (quase R$ 14 milhões para obras de reconstrução), R$ 8,3 milhões do Conselho Nacional de Justiça (oriundos de multas criminais) e R$ 1,4 milhão arrecadado por meio de campanha de doações via Pix. A previsão total de investimentos, somando recursos já anunciados, ultrapassa R$ 60 milhões, incluindo R$ 47,5 milhões do governo federal para a construção de escolas, ginásio, centro cultural e rodoviária.
Falta de transparência e ação do Ministério Público
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) ingressou com uma ação civil pública questionando a ausência de informações claras sobre os gastos no Portal da Transparência do município. O promotor Igor Rabel Corso afirmou que, com os dados disponíveis, não é possível saber o montante exato que entrou nem como foi gasto. A Justiça aceitou a ação e deu prazo de quatro meses para a prefeitura adequar o portal, sob pena de multa de R$ 1 mil por semana de atraso.
O TCE-PR também relatou dificuldades no acompanhamento. Uma comissão criada para monitorar a calamidade ofereceu ajuda técnica, mas, segundo o auditor Mário Antonio Cecato, a prefeitura recusou o auxílio e não buscou orientação. Nesta terça-feira (7), houve uma nova reunião entre o TCE e a prefeitura para agilizar o controle e buscar explicações sobre os valores arrecadados.
Resposta da prefeitura
Em nota, a administração municipal afirmou que o Portal da Transparência está em constante atualização e que encara a ação do MP como uma oportunidade de aperfeiçoamento. Disse ainda que já ultrapassou R$ 3 milhões em investimentos próprios e oficiais em materiais de construção, além de ter recebido grande volume de doações diretas (telhas, tijolos, madeira) que estão sendo triadas e destinadas às famílias.
O estado de calamidade pública, decretado no dia seguinte ao tornado, vigora até o início de maio e permite contratações diretas sem licitação. O promotor ressalva que a calamidade não isenta o município de manter a transparência contínua.
Ajuda estadual e federal
O governo do Paraná já repassou R$ 11,5 milhões diretamente à prefeitura (R$ 3,1 milhões para materiais de construção e R$ 8,4 milhões para ônibus escolares). Além disso, o estado assumiu o pagamento de auxílios diretos às famílias: o programa Superação (R$ 1 mil mensais por seis meses) já beneficiou 1.971 famílias com R$ 7,2 milhões; e o programa Reconstrução (valores de R$ 20 mil a R$ 50 mil para reparo de casas) distribuiu 654 cartões, totalizando R$ 22,7 milhões.
O governo estadual também analisa projetos apresentados pelo município que somam mais de R$ 71 milhões em investimentos potenciais, incluindo pavimentação de estradas rurais, construção de barracões industriais, ginásio, centro de assistência social, reconstrução da APAE e aquisição de equipamentos rodoviários.
O tornado de 7 de novembro de 2025, com ventos de quase 400 km/h, matou seis pessoas, feriu 750 e danificou ou destruiu cerca de 90% das construções da cidade de aproximadamente 14 mil habitantes.
Com informações de G1.