Projeto que pode aumentar taxas de cartórios em até 532% avança no Paraná; veja quais deputados votaram contra

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Proposta do Tribunal de Justiça foi aprovada em primeiro turno por 25 votos a 13, apesar da oposição da OAB e de entidades do setor produtivo. Texto volta à discussão na Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (4).

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, em primeiro turno, nesta terça-feira (3), o projeto de lei que altera os valores e os critérios de cobrança dos serviços cartorários no estado. A proposta pode provocar aumentos de até 532% em determinados procedimentos, segundo estimativas apresentadas por entidades contrárias à mudança.

O Projeto de Lei 1016/2025, de autoria do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), recebeu 25 votos favoráveis, 13 contrários e duas abstenções. A votação ocorreu mesmo diante das críticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e de representantes da construção civil e de outros setores econômicos.

O texto pretende substituir regras estabelecidas em 1970 e modificar a forma de cálculo dos emolumentos, valores cobrados por serviços como escrituras públicas, registros de imóveis, averbações e emissão de certidões.

A proposta também estabelece reajustes anuais pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além de novas regras de transparência, fiscalização e gratuidade.

Quanto as taxas dos cartórios podem aumentar?

O principal questionamento das entidades contrárias ao projeto está nos possíveis aumentos dos custos de serviços utilizados por cidadãos, empresas e produtores rurais.

De acordo com simulações divulgadas pela Faep, os reajustes em determinados procedimentos poderiam chegar a:

  • 74,3% em escrituras públicas;
  • 84,2% em registros imobiliários;
  • 532% em uma modalidade específica de averbação sem valor econômico.

Os percentuais são estimativas apresentadas pela entidade e não representam aumentos generalizados em todos os serviços cartorários.

Uma das mudanças previstas estabelece que, em operações envolvendo valores financeiros, o cálculo dos emolumentos considere o maior valor entre parâmetros como o preço declarado na transação, o valor tributário do imóvel e a base de cálculo utilizada para recolhimento do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

Representantes do setor produtivo argumentam que a alteração poderá elevar os custos de transferência de propriedades, formalização de negócios, financiamentos e regularização de imóveis urbanos e rurais.

O Tribunal de Justiça, autor da proposta, sustenta que a atualização busca modernizar a legislação, ampliar a transparência e garantir a sustentabilidade financeira dos serviços extrajudiciais.

Veja os 13 deputados que votaram contra o projeto

A votação contrária reuniu parlamentares de seis partidos, incluindo deputados da oposição e integrantes da base de apoio ao governador Ratinho Junior (PSD).

Os deputados que rejeitaram a proposta em primeiro turno foram:

  1. Ana Júlia (PT)
  2. Denian Couto (PL)
  3. Dr. Antenor (PT)
  4. Evandro Araújo (PSD)
  5. Goura (PDT)
  6. Luciana Rafagnin (PT)
  7. Luiz Fernando Guerra (Novo)
  8. Márcio Nunes (PSD)
  9. Paulo Gomes (PL)
  10. Professor Lemos (PT)
  11. Requião Filho (PDT)
  12. Ricardo Arruda (PL)
  13. Tercílio Turini (MDB)

O PT registrou quatro votos contrários, seguido pelo PL, com três. PSD e PDT tiveram dois deputados contrários cada, enquanto MDB e Novo registraram um voto cada.

Duas deputadas do Progressistas (PP), Cristina Silvestri e Mabel Canto, se abstiveram.

Entre os votos contrários estão os deputados Evandro Araújo e Márcio Nunes, ambos do PSD, partido do governador Ratinho Junior.

Durante a sessão, o líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri (PSD), liberou os parlamentares da base para votar conforme suas próprias posições, já que o projeto foi apresentado pelo Tribunal de Justiça, e não pelo Executivo estadual.

Emendas ainda serão analisadas

Durante a discussão, o deputado Professor Lemos (PT) justificou a posição contrária da oposição citando as reclamações apresentadas por entidades como a OAB.

O parlamentar afirmou que as emendas protocoladas poderão permitir alterações no texto durante as próximas etapas.

O deputado Márcio Nunes (PSD) também questionou a ausência de alterações defendidas pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná.

Segundo os esclarecimentos apresentados durante a sessão, as emendas deverão ser analisadas na segunda discussão da proposta.

A resistência de entidades ligadas à advocacia, à agricultura e à construção civil já havia provocado dificuldades na tramitação do projeto em outubro.

Projeto volta à pauta nesta quarta-feira

Após a aprovação em primeiro turno, os deputados também aprovaram um requerimento de urgência apresentado por Luiz Cláudio Romanelli, acelerando a tramitação da proposta.

O PL 1016/2025 foi incluído na pauta desta quarta-feira (4), quando deverá passar por nova análise.

Como foram apresentadas emendas, o texto também depende da apreciação das alterações pelas comissões competentes.

A aprovação em primeiro turno não significa que as novas taxas já estejam valendo.

Para que as mudanças entrem em vigor, o projeto ainda precisa concluir a tramitação na Assembleia Legislativa e passar pelas etapas legais posteriores.

Até lá, os valores definitivos e os critérios de cobrança poderão sofrer alterações.

Com informações de CBN e Gazeta do Paraná.