Câmeras de vigilância dentro de banheiros de alunos são confirmadas em colégio cívico-militar de Curitiba; MP investiga

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Foto: Reprodução/MPPR

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) confirmou ao Ministério Público do Paraná que o Colégio Cívico-Militar Etelvina Cordeiro Ribas, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, manteve câmeras de vigilância instaladas nos banheiros dos alunos. O MP abriu inquérito para apurar a responsabilidade do diretor e questionar onde as imagens captadas foram armazenadas.

De acordo com o inquérito, os equipamentos funcionaram a partir de 2022 e foram retirados em 2024, após determinação da Seed. No entanto, documentos mostram que podem ter sido reinstalados em 2025. Em fevereiro deste ano, uma comissão de inspeção da Seed flagrou novamente as câmeras nos banheiros feminino e masculino. Em março, os equipamentos foram retirados novamente.

Em sua defesa, o diretor José Carlos Real Koehler afirmou que as câmeras foram instaladas por “acordo com a comunidade escolar” em 2022. Em 2025, ele disse que pais de alunos solicitaram o monitoramento após casos de violência noticiados em outras escolas. A situação, segundo ele, foi informada à coordenação do programa de colégios cívico-militares.

A investigação teve origem em uma denúncia anônima que apontava, além das câmeras nos banheiros, comportamento autoritário do diretor e suposto favorecimento de sua filha no Programa Ganhando o Mundo. As acusações de assédio e favorecimento foram arquivadas por falta de provas. Já o caso das câmeras foi encaminhado à Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público.

A promotora Claudia Cristina Rodrigues Martins Maddalozzo afirmou que a situação é “incompatível com a proteção constitucional da intimidade e privacidade dos estudantes”. Ela determinou a abertura de sindicância contra o diretor e questionou a Seed sobre o destino das imagens e quem tinha acesso a elas.

A Seed informou que não há mais câmeras nos banheiros do colégio, mas não explicou onde as imagens captadas foram armazenadas nem por quanto tempo os equipamentos ficaram no local.

Documentos revelaram ainda que o Colégio Estadual Benedicto João Cordeiro, no bairro Sítio Cercado, também chegou a ter câmeras nos banheiros em 2024. A direção afirmou que os equipamentos foram retirados e que hoje há apenas câmeras “fake” no local para inibir ações indevidas.

O caso das câmeras em banheiros é mais um episódio polêmico envolvendo o programa de colégios cívico-militares, que já acumula denúncias de assédio moral, sexual e apologia à violência. Em 2024, o Tribunal de Justiça do Paraná manteve uma decisão que proíbe o estado de impor padrões estéticos aos alunos dessas unidades.

Com informações de Jornal Plural.

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