Policiais militares são presos por torturar vítima dentro de batalhão no litoral do Paraná e exigir pagamentos, diz MP

Dois policiais militares foram presos na manhã desta segunda-feira (29) acusados de tortura e extorsão contra um homem em Pontal do Paraná, no litoral do estado. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as agressões ocorreram dentro da sede da 5ª Companhia da Polícia Militar, na presença de outros militares e civis.
Os agentes Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto, que foram afastados das atividades, são investigados por usar a função pública e a estrutura do Estado para espancar vítimas e cobrar pagamentos. Em mensagens trocadas entre eles, um dos policiais relatou ter agredido um homem flagrado invadindo casas. O colega respondeu: “Quebra a mão, braço, perna. Não adianta levar para a DP.”
O Gaeco aponta que as agressões dentro do batalhão demonstraram que os militares “desacreditam de qualquer mecanismo eficiente de controle, seja institucional ou de controle externo”. O órgão também destacou que “é alarmante que os agentes do Estado, que deveriam combater e investigar crimes, estivessem unidos para praticá-los”.
Vídeo mostra agressões
A primeira agressão contra a vítima teria ocorrido dentro de uma casa de veraneio, após ser flagrada pelos policiais durante uma ocorrência de invasão de domicílio. Um vídeo compartilhado entre os agentes em agosto de 2025 mostra os PMs torturando o homem com pedaços de madeira, socos e chutes. No relatório, há um alerta para “cenas fortes”. O Gaeco descreve que a vítima “a todo momento urra de dor em meio aos estrondos secos provocados pelas agressões”.
Confissão em mensagens
Em novembro de 2025, outro homem procurou o Gaeco e relatou ter sido vítima de tortura e extorsão. Os celulares dos policiais foram apreendidos. Em mensagens enviadas à companheira, Patrick admitiu as agressões, dizendo que estava “espancando quatro pessoas no meio do mato, escondido” e que “estávamos quebrando o braço e os dedos deles”. A vítima relatou ter recebido cobranças quinzenais de até R$ 3 mil para “sua paz e dos seus familiares”.
A defesa dos policiais afirmou que os autos estão em segredo de Justiça e que ainda não teve acesso ao processo. Em nota, a Polícia Militar informou que os agentes permanecem presos e afastados, e que “não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais”. O caso segue em investigação.
