Cidade do Paraná está há mais de 13 anos sem homicídio; vínculo comunitário é apontado como diferencial

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Foto: Alex Magosso/RPC

Rio Bom, no Norte do Paraná, é um exemplo de tranquilidade em meio aos índices de violência que afetam o país. A cidade de pouco mais de 3 mil habitantes não registra um homicídio ou feminicídio há mais de 13 anos, segundo dados do Ministério da Justiça e da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR). O município, que não possui Guarda Civil Municipal nem delegacia, conta apenas com um destacamento da Polícia Militar para o policiamento preventivo.

Outras cidades paranaenses também se destacam pela baixa criminalidade. Novo Itacolomi, vizinha de Rio Bom, está sem mortes violentas desde 2013. Campo Bonito, no Oeste, e Verê, no Sudoeste, registram nove e oito anos sem homicídios, respectivamente. De janeiro a maio deste ano, 246 das 399 cidades do Paraná não tiveram nenhum registro de homicídio ou feminicídio.

Para moradores e autoridades de Rio Bom, o segredo está na forte integração comunitária. A comerciante Rosângela Erli Rech Mazzutti, dona de um mercado há 36 anos, conta que todos se conhecem e que qualquer movimento diferente já chama a atenção. “Cidade pequena tem disso, todo mundo conhece todo mundo. Quando chega alguém diferente, a gente já fica de olho”, diz. A confiança é tanta que a maioria das vendas do mercado ainda é feita na caderneta.

A professora Ilza Venturini da Silva, nascida na cidade e educadora há 25 anos, descreve Rio Bom como um “grande lar”. Ela destaca que o respeito ao próximo é ensinado desde cedo em sala de aula e que os professores estão atentos a sinais de que as crianças possam estar passando por dificuldades.

O delegado Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, responsável por Rio Bom, afirma que os vínculos comunitários fortalecem a integração com as forças de segurança. “Os moradores acabam denunciando situações de conflito que podem evoluir para uma ocorrência letal”, explica. O trabalho preventivo também é realizado pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), presidido por Geraldo Lúcio Teixeira, ex-policial militar, que atua como elo entre a população e as autoridades.

O delegado ressalta ainda que o combate ao tráfico de drogas contribui para a redução dos homicídios. Embora o tráfico esteja presente, não há disputas territoriais por pontos de venda, o que impede a escalada para crimes letais. Além disso, a alta taxa de elucidação dos casos gera um efeito inibidor.

O secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Saulo de Tarso Sanson, afirma que o estado vive o melhor período histórico no setor. A taxa de homicídios e feminicídios no Paraná é de 10,26 a cada 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 13,85. A meta é reduzir esse índice para menos de 10% em cidades com mais de 100 mil habitantes. Ações como a Operação Cidade Segura e a Operação Lâmina Zero, voltada à prevenção de crimes com armas brancas, têm contribuído para os avanços.

Com informações de G1.

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