Os quatro jovens de Minas Gerais que desapareceram após se mudarem para Santa Catarina tinham entre 19 e 28 anos, moravam juntos em São José, na Grande Florianópolis, e haviam ido ao estado em busca de trabalho e melhores condições de vida. Eles chegaram em períodos diferentes, entre outubro e dezembro, com planos de se estabelecer profissionalmente e apoiar financeiramente os familiares. As vítimas são Bruno Máximo da Silva, Daniel Luiz da Silveira, Guilherme Macedo de Almeida e Pedro Henrique Prado de Oliveira.
Bruno Máximo da Silva, de 28 anos, era natural de Guaranésia e pai de duas crianças, de 1 e 3 anos. Foi um dos primeiros a chegar, ainda em outubro. Em Santa Catarina, trabalhou inicialmente em um restaurante e, segundo a família, tinha uma oportunidade para começar como soldador no início de janeiro. A mãe, Rosa Maria Máximo, relatou que o filho dizia estar feliz, adaptado e com o objetivo de dar estabilidade à família.
Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, era natural de Guaxupé e chegou a Santa Catarina na véspera do Natal. A família relata que ele saiu de casa de madrugada e disse ao pai, André Luiz da Silveira, que já tinha trabalho garantido e pretendia ajudar no pagamento das despesas domésticas. Ele deixou os pais e dois irmãos em Minas e planejava permanecer no estado por tempo indeterminado.
Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos, era natural de Guaranésia e se mudou em dezembro. Soldador, ele trabalhava na área havia quase dois anos e, conforme a mãe, Elizabete de Macedo Almeida, tinha emprego previsto para começar na semana seguinte ao desaparecimento. A família conta que ele gostava de motos, música e tecnologia, e que decidiu buscar novas oportunidades fora da cidade após a morte do avô.
Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19 anos, nasceu em Araraquara, em São Paulo, mas foi criado em Guaranésia. Ele trabalhava em restaurante e estava em Santa Catarina desde o fim de outubro. A mãe, Silvia Aparecida do Prado, afirmou que o filho mantinha contato frequente, queria tirar a carteira de habilitação e comprar uma moto, além de ser muito ligado à família e às irmãs.
Conforme informações da Sejusp, Bruno teve registros no sistema prisional mineiro entre agosto de 2019 e dezembro de 2023, e Pedro ficou preso por um dia em julho de 2024, liberado por alvará de soltura. As motivações não foram informadas.
Do desaparecimento ao achado dos corpos
Os quatro jovens vindos de Minas Gerais desapareceram na madrugada de domingo (28 de dezembro), após deixarem o apartamento onde moravam juntos no bairro Barreiros, em São José, na Grande Florianópolis. Imagens de câmeras de monitoramento mostram o grupo saindo do prédio por volta das 3h. Cerca de uma hora depois, às 4h16, dois deles, Guilherme e Bruno, ainda foram vistos nas proximidades do imóvel.
Após a perda de contato telefônico, familiares começaram a buscar informações e acionaram as autoridades. Um vizinho relatou estranheza ao perceber que o apartamento estava aberto havia dois dias. No local, a cena indicava que a saída teria sido breve: porta destrancada, janelas abertas, comida sobre o fogão e todos os pertences pessoais, incluindo carregadores de celular, deixados para trás.
O desaparecimento mobilizou familiares, amigos e o projeto SOS Desaparecidos da Polícia Militar, enquanto as mães relataram desespero pela falta de informações oficiais sobre o paradeiro dos jovens.
Na manhã de sábado (3), a Polícia Militar recebeu uma denúncia anônima informando sobre corpos abandonados às margens de uma estrada no bairro Fundos, em Biguaçu. No local, os policiais encontraram quatro corpos em estado de decomposição, amarrados, o que reforçou a suspeita de execução. A Polícia Científica realizou a perícia e encaminhou os corpos ao Instituto Médico Legal, em Florianópolis.
Na manhã deste domingo (4), foi confirmada oficialmente a identificação das vítimas como Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, Bruno Máximo da Silva, de 28, Guilherme Macedo de Almeida, de 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19. O reconhecimento ocorreu principalmente por meio de tatuagens, segundo familiares. As causas das mortes não foram detalhadas até o momento.
A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer a motivação, a dinâmica do crime e quem são os responsáveis pelo homicídio quádruplo.
Com informações de G1.















