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Pensão da filha de PM morta pelo marido é quatro vezes menor que aposentadoria do tenente-coronel acusado do crime

Foto: Reprodução

A filha de 7 anos da soldado Gisele Alves Santana, assassinada a tiros em fevereiro, começou a receber a pensão do governo de São Paulo nesta quarta-feira (8), 49 dias após a morte da mãe. O crime ocorreu em 18 de fevereiro no apartamento onde a vítima vivia com o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de feminicídio e fraude processual.

De acordo com o advogado que representa a família da policial, José Miguel da Silva Júnior, o pai da criança recebeu cerca de R$ 7.100. O valor teria sido creditado na conta do responsável legal. Em nota, a São Paulo Previdência (SPPrev) afirmou que o primeiro crédito considerou o período proporcional de fevereiro (a partir do falecimento) e o mês integral de março. A partir de abril, o benefício será pago mensalmente, calculado com base na remuneração da policial na data do óbito. O órgão não divulgou o valor exato por questões de sigilo e proteção de dados.

Segundo apuração com fontes da Polícia Militar, a menina recebeu o valor bruto de R$ 8.500 pelos 45 dias desde a morte, o que resultou em cerca de R$ 7.200 líquidos. Com o reajuste de 10% concedido a todos os policiais pelo governador Tarcísio de Freitas, a pensão bruta mensal deve ficar em torno de R$ 6.300, com líquido estimado de R$ 5.300.

Advogado critica demora e promete ação contra tenente-coronel

Em vídeo publicado nas redes sociais, o advogado da família afirmou que a demora no pagamento da pensão contrasta com a rapidez na concessão da aposentadoria ao tenente-coronel acusado do assassinato. Ele anunciou que pretende cobrar uma indenização do oficial para garantir um valor mais digno à filha da vítima.

“Evidentemente, estaremos tomando medidas legais para que a filha da Gisele tenha uma pensão mais digna, e que saia do bolso do senhor tenente-coronel essas despesas”, declarou.

Aposentadoria do suspeito gera revolta

O tenente-coronel Geraldo Leite foi transferido para a reserva pela Polícia Militar em 2 de abril, menos de dois meses após o crime. Ele receberá cerca de R$ 21 mil mensais de aposentadoria, valor calculado com base nos critérios proporcionais de idade. O pedido foi feito pelo próprio oficial.

Os pais de Gisele reagiram com indignação. O pai da vítima questionou: “Você acha justo a população pagar salário para um monstro desse?” A mãe afirmou ser “muito revoltante ver um assassino ser aposentado tão rápido”.

O governador Tarcísio de Freitas declarou esperar que o tenente-coronel seja condenado e que “apodreça o resto da vida na cadeia”, mas ressaltou que a legislação assegura a aposentadoria ao militar. A Secretaria da Segurança Pública informou que os vencimentos do oficial estão suspensos desde sua prisão e que a passagem para a reserva não interfere na responsabilização penal ou disciplinar.

Relembre o caso

Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal, no bairro do Brás, em São Paulo, em 18 de fevereiro. A versão inicial de suicídio foi contestada pela investigação, que apontou indícios de feminicídio e manipulação da cena do crime. O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. A defesa nega as acusações e questiona a competência da Justiça Militar.

Com informações de G1.

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