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Operação Focinheira prende suspeitos e mira vítimas após roubo de diamantes de R$ 15 milhões em Londrina

Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná deflagrou na manhã desta terça-feira (13) a Operação Focinheira, que apura um roubo ocorrido em 18 de novembro de 2024 na Rua Eça de Queiroz, em Londrina. Na ocasião, quatro homens armados, se passando por policiais, abordaram um Chevrolet Tracker ocupado por três vítimas vindas do Estado de São Paulo.

Segundo a polícia, o grupo chegou em um Citroën C4 preto, bloqueou a passagem em via pública e anunciou o assalto. Após a subtração de pertences, os autores fugiram em um Chevrolet Captiva prata. A investigação aponta que as vítimas omitiram inicialmente o valor real do prejuízo, o que dificultou a compreensão do que de fato estava sendo transportado.

A apuração avançou após um celular cair durante o crime. O aparelho foi apreendido e, na análise, investigadores encontraram trocas de mensagens em um grupo chamado “Pit Bull Missão”, nas quais os suspeitos mencionam um lote de diamantes avaliado em R$ 15 milhões. A polícia sustenta que o aparelho pertencia a um dos policiais envolvidos no roubo.

De acordo com o delegado Mozart Rocha Gonçalves, as vítimas foram ouvidas no dia do crime e relataram que estavam na cidade para um encontro com um empresário, afirmando que a empresa dele teria sido selecionada por patrocinadores para receber um prêmio em São Paulo. Ainda assim, segundo a Polícia Civil, não foi esclarecida a procedência das pedras e nem os motivos reais da reunião em Londrina, o que abriu uma nova frente de apuração.

Com base nas provas colhidas, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva contra os alvos principais, incluindo policiais militares apontados como executores. Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Londrina e Ibiporã, no Norte do Paraná, além de diligências em Bauru e São Paulo. A operação teve apoio da Corregedoria da Polícia Militar e de outras unidades da Polícia Civil.

A Justiça também determinou sequestro de bens e valores até o montante de R$ 15 milhões, com objetivo de reparação do dano. Nos endereços vistoriados, a polícia informou ter apreendido armas, munições e celulares, que serão analisados e periciados para auxiliar na identificação dos envolvidos e no rastreamento do caminho percorrido pelos diamantes após o crime.

A investigação aponta que o grupo atuava com divisão de tarefas e planejamento por aplicativos de mensagens. A polícia descreve quatro executores responsáveis pela abordagem direta, além de uma rede de apoio composta por um suspeito que teria funcionado como “isca” para atrair as vítimas e um mentor, apontado como responsável por comandar a ação e auxiliar na fuga. Também é citada uma base operacional atribuída a um casal proprietário de uma autoescola, local que teria sido usado para planejamento, troca de vestimentas e ocultação de veículos.

Segundo o delegado, dos quatro executores identificados, dois eram servidores públicos. Um terceiro executor morreu em confronto com a Polícia Militar cinco dias após o roubo. Os nomes dos alvos não foram divulgados oficialmente.

Um desdobramento relevante foi a expedição de mandados de busca contra as próprias vítimas do roubo. A Polícia Civil afirma que investiga indícios de lavagem de dinheiro, uma vez que a procedência dos diamantes e os motivos reais da reunião em Londrina não foram esclarecidos. Em uma das buscas, foram apreendidos R$ 11.692.000,00 em cheques, material que deve passar por perícia para ajudar a entender a origem dos valores e a destinação das pedras preciosas.

Os diamantes não foram encontrados. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a rota do material levado no assalto.

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