Diretor de contraterrorismo dos EUA renuncia e diz que guerra contra o Irã foi iniciada por pressão de Israel
O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, renunciou ao cargo nesta terça-feira (17) em desacordo com a guerra contra o Irã. Em carta publicada nas redes sociais, Kent afirmou que o país persa não representava uma ameaça iminente à segurança americana e que o conflito foi iniciado “por pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos”.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã. O Irã não era uma ameaça iminente à nossa nação, e está claro que começamos esta guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”, escreveu Kent, que também comparou a ofensiva à guerra do Iraque em 2003, classificando-a como “desastrosa”.
Veterano das Forças Especiais do Exército, Kent cumpriu 11 missões no exterior, incluindo no Iraque, e perdeu a esposa, uma criptologista da Marinha, em um atentado na Síria em 2019.
Reação da Casa Branca e de Trump
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu as declarações e afirmou que a carta de Kent contém “muitas afirmações falsas”. Segundo Leavitt, o presidente Donald Trump tinha “evidências fortes e convincentes de que o Irã iria atacar os Estados Unidos primeiro”. Ela classificou como “insultante e risível” a alegação de que a decisão teria sido influenciada por outros países.
O próprio Trump comentou a renúncia: “Sempre achei que ele fosse fraco em segurança. É bom que ele esteja fora, porque ele disse que o Irã não representava uma ameaça. O Irã era, sim, uma ameaça”.
Quem é Joe Kent
Nomeado por Trump no início do mandato e confirmado pelo Senado em julho com votos exclusivamente republicanos , Kent era conhecido por apoiar teorias da conspiração e por suas ligações com associações de extrema-direita e supremacia branca, inclusive com o influenciador Nick Fuentes, ligações que ele posteriormente repudiou. Durante a campanha, também se aproximou de grupos como Proud Boys e Patriot Prayer.
Sua postura sempre foi alinhada à vertente “America First” e contrária ao envolvimento dos EUA em conflitos externos.
Reação da oposição
O senador democrata Mark Warner, do Comitê de Inteligência, afirmou que o histórico de Kent sempre foi preocupante e que ele jamais deveria ter sido aprovado para o cargo. No entanto, concordou com o teor da carta: “Não havia evidências críveis de uma ameaça iminente do Irã que justificasse precipitar os Estados Unidos em outra guerra de escolha”.
Com informações de G1.