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CVM identifica 314 processos e 14 acusações formais contra Grupo Master desde 2017; investigações apontam indícios de manipulação de mercado e fraudes bilionárias

Foto: Metrópoles

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) identificou 314 processos instaurados entre 2017 e 2025 relacionados ao Grupo Master e entidades conexas, dos quais 14 evoluíram para processos administrativos sancionadores, etapa em que há acusação formal pelo regulador. Os indícios apontam para manipulação de mercado, uso de operações simuladas, insider trading, fraude contra investidores e falhas sistemáticas na prestação de informações obrigatórias.

Levantamento interno da autarquia analisou todo o universo de apurações envolvendo o ecossistema do Master, incluindo empresas e fundos a ele ligados. De acordo com a CVM, 165 dos 314 processos tiveram origem em fontes externas, como denúncias de pessoas naturais e jurídicas, comunicações da B3/BSM, do Banco Central, da Receita Federal e do Ministério Público, indicando que sinais de risco circularam entre instituições por anos.

Os processos sancionadores revelam a recorrência de nomes e um padrão de conduta que se estende por quase uma década, conectando figuras centrais do mercado financeiro a práticas consideradas graves pela CVM. Benjamim Botelho de Almeida, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto e operador financeiro de Daniel Vorcaro nos Estados Unidos, é um dos nomes mais frequentes. O Grupo Reag, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, também figura com destaque nas investigações dos últimos dois anos.

Entre os casos emblemáticos, a CVM apura irregularidades na emissão de debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e cotas de fundos fechados, com indícios de que essas estruturas teriam sido utilizadas para beneficiar o grupo em prejuízo de investidores. Um dos processos também investiga o uso de operações de “money pass” (transferência irregular de recursos disfarçada de negócio legítimo) para ocultar o destino final do capital, envolvendo a Milo Investimentos, empresa controlada por familiares de Vorcaro.

Em relação à Reag, a CVM aponta que administradores deixaram de elaborar demonstrações financeiras de 2024 e balanços trimestrais de 2025, impedindo o mercado de aferir a real saúde financeira da holding. Há também investigações sobre uso de informação privilegiada e negociação em período vedado.

As apurações da CVM integram um diagnóstico mais amplo que embasou uma revisão interna após o colapso do Grupo Master. Um grupo de trabalho criado pelo regulador em fevereiro de 2026 identificou que sinais de risco foram percebidos de forma transversal por diferentes áreas e instituições ao longo dos anos, mas sem consolidação adequada das informações. O colegiado da CVM rejeitou propostas de acordo apresentadas por Daniel Vorcaro, Banco Master e outros envolvidos, que somavam R$ 21,3 milhões, para encerrar processos sancionadores.

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, com novas fases em janeiro e março de 2026, resultou em bloqueios bilionários e na prisão de Daniel Vorcaro. As investigações apontam para um esquema de fraudes financeiras de grandes proporções, com desdobramentos que incluem apuração de vazamentos de informações e cooptação de servidores públicos.

Em nota, a CVM informou que mantém procedimentos administrativos em andamento e que as investigações não se limitam a Daniel Vorcaro, abrangendo um conjunto mais amplo de agentes e entidades ligadas ao ecossistema do Master. A autarquia prepara mudanças internas em suas áreas de fiscalização para aprimorar a detecção e o tratamento de riscos sistêmicos.

Com informações da Agência Brasil, Metrópoles, Estadão, CNN Brasil e IstoÉ Dinheiro.

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