Após concluir as investigações, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) identificou que um caso registrado inicialmente como estupro coletivo contra uma adolescente de 15 anos na região da Estrutural tratava-se, na verdade, de uma denúncia falsa, premeditada pela própria jovem. Ela confessou que a ação foi motivada por uma suposta vingança contra colegas que a praticariam bullying.
O caso, que chocou a comunidade local em setembro, levou à prisão preventiva de seis adolescentes com idades entre 14 e 15 anos, que passaram dias internados antes de serem inocentados. Diante das contradições apuradas, a Justiça revogou a medida assim que a polícia apresentou as novas provas.
Da denúncia à prisão
Tudo começou quando a adolescente compareceu à 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural) afirmando ter sido vítima de abuso sexual por parte do grupo de jovens. Seguindo os protocolos de atendimento, a PCDF encaminhou a jovem para realização de exames no Instituto Médico Legal (IML) e adotou as providências para localizar os supostos agressores.
Os seis adolescentes foram identificados, levados à Delegacia da Criança e do Adolescente e, após reconhecimento pela suposta vítima, tiveram a internação provisória decretada pela Justiça, dada a gravidade da acusação.
Investigação revelou inconsistências
Com o andamento do inquérito, no entanto, as diligências policiais começaram a contradizer a história. A primeira quebra na narrativa veio da coordenação da escola dos envolvidos, que confirmou, por meio de registro de chamada em sala de aula, que todos os acusados estavam presentes no colégio no horário em que o crime teria ocorrido. As imagens de câmeras de segurança do local reforçaram essa informação.
Além disso, a análise das mensagens de celular enviadas ao namorado da adolescente – que detalhavam o suposto crime – mostrou que o chip utilizado estava vinculado à internet de sua própria residência, registrada no nome da mãe da denunciante. A reconstituição do trajeto supostamente seguido pela vítima também não apresentou qualquer evidência material que corroborasse a ocorrência.
Confissão e motivação
Confrontada com as provas técnicas, a estudante manteve a versão por algum tempo, mas finalmente admitiu que havia forjado toda a situação. Ela contou que criou a história como forma de retaliação, por sofrer bullying dos colegas que acusou. Para dar aparência de verdade à denúncia, a jovem chegou a provocar lesões no próprio corpo.
“Nosso trabalho não se encerra com a primeira versão dos fatos: seguimos cada etapa com rigor técnico, proteção às partes e respeito aos direitos fundamentais”, afirmou a delegada-chefe da 8ª DP, Bruna Eiras.
Desfecho do caso
Com a confissão, a PCDF comunicou imediatamente ao Poder Judiciário, que determinou a liberação dos adolescentes. Agora, a autora da falsa denúncia é quem responderá na Justiça por ato infracional análogo ao crime de denunciação caluniosa.
Com informações de Metrópoles.















