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Operação Bigfish: Polícia Civil prende vereador e desarticula esquema bilionário de jogos de azar que atuava em 14 estados

Foto: PCPR

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou nesta terça (7) e quarta-feira (8) a Operação Bigfish, resultando na prisão de 55 pessoas, incluindo dois vereadores e lideranças de um grupo criminoso voltado à exploração ilegal de jogos de azar. O presidente da Câmara Municipal de Cianorte, vereador Victor Hugo Davanço, foi preso preventivamente.

A megaoperação mobilizou mais de 330 policiais e três helicópteros, com cumprimento de 371 ordens judiciais em 27 cidades de cinco estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Pará. Foram expedidos 85 mandados de prisão preventiva, 102 de busca e apreensão, além de 184 ordens de bloqueio de contas que visam ao sequestro de R$ 1,5 bilhão.

Esquema nacional e fusão de grupos criminosos

A investigação durou mais de três anos e teve início em Grandes Rios, no Norte do Paraná. Os policiais identificaram a fusão entre dois dos maiores grupos de exploração de jogos ilegais do país: um paranaense e outro goiano. Juntos, eles movimentaram mais de R$ 2 bilhões por meio de mais de 520 mil operações financeiras, utilizando fintechs e contas de laranjas para ocultar a origem do dinheiro.

O grupo atuava há mais de 10 anos de forma estruturada, com divisão de funções: liderança, núcleo financeiro, suporte tecnológico e operacional. Mantinha uma empresa de TI para desenvolver plataformas online de jogos ilegais e aplicativos de transmissão, usados em pelo menos 14 estados. Foram identificados 15 mil pontos de exploração do jogo do bicho.

Apreensões bilionárias

As autoridades conseguiram o sequestro de 132 veículos (avaliados em mais de R$ 11 milhões), 111 imóveis (R$ 32,9 milhões) e mais de cem cabeças de gado (R$ 43,9 milhões). Além disso, 21 sites de apostas ilegais foram retirados do ar.

Entre os presos estão os principais líderes do grupo, dois vereadores e membros dos núcleos financeiro e operacional. A investigação também aponta a criação de empresas de fachada para dar aparência lícita aos valores obtidos ilegalmente.

Reações e próximos passos

A Câmara Municipal de Cianorte informou que não havia sido notificada sobre a prisão do presidente e afirmou confiar na apuração dos fatos. A defesa do vereador declarou que ainda não teve acesso ao processo, mas já adota medidas legais para garantir a ampla defesa.

Os investigados responderão por organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. A operação segue em andamento para identificar outros envolvidos.

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