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Ratinho Junior rejeita convite para ser vice de Flávio Bolsonaro; PL pode apoiar Sergio Moro para governador

Ratinho Jr e Sergio Moro em 2018: indefinição do governador e pré-candidatura à Presidência podem beneficiar senador no Paraná. Foto: Rodrigo Félix Leal/ANPr

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), recusou a proposta de abrir mão de sua pré-candidatura à Presidência da República para ocupar o posto de vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão foi comunicada nesta quarta-feira (11) durante uma reunião com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do filho do ex-presidente, na sede do governo paranaense em Brasília.

Segundo aliados, Marinho sugeriu a composição entre os partidos, mas o governador descartou a ideia e reforçou que continuará trabalhando para viabilizar seu próprio projeto presidencial. O PSD deve definir o nome que liderará a chapa do partido até o final de março, com Ratinho Jr. aparecendo como o nome mais competitivo entre os pré-candidatos da legenda, que incluem também Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO).

Durante a conversa com a coordenação de campanha do PL, Ratinho Junior aproveitou para relembrar um desgaste ocorrido na eleição municipal de 2024. Na disputa pela Prefeitura de Curitiba, o PL indicou o candidato a vice na chapa apoiada pelo governador, mas, no segundo turno, o ex-presidente Jair Bolsonaro optou por declarar apoio à adversária Cristina Graeml. O episódio foi citado como um ponto de atrito na relação entre os dois grupos políticos.

Acordos regionais seguem de pé

Apesar da recusa em formar uma chapa nacional com Flávio Bolsonaro e das ressalvas sobre o pleito municipal passado, Ratinho Junior indicou que os acordos regionais seguem firmes. O governador reafirmou no encontro que pretende cumprir o compromisso firmado em 2024 de apoiar o deputado federal Filipe Barros (PL) na disputa por uma vaga no Senado representando o Paraná.

Com a manutenção da pré-candidatura presidencial de Ratinho Jr., o PL poderá se aproximar da candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao governo do Paraná, já que a legenda precisa de um palanque forte no estado para a eleição nacional. Moro lidera todas as pesquisas de intenção de voto para o governo paranaense, com índices que variam entre 40% e 47% dependendo do cenário, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta quinta-feira (12).

Cenário sucessório no Paraná

A indefinição sobre a candidatura presidencial de Ratinho Jr. também impacta a sucessão estadual. O nome preferido do governador para disputar o Palácio Iguaçu é o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD). Também disputam a indicação o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (PSD), e o secretário do Desenvolvimento Sustentável e ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PSD).

Curi já revelou que tem um convite do Republicanos para disputar o governo, caso não seja o escolhido pelo governador — com Greca podendo compor como vice. Nesse cenário, o Republicanos poderia se tornar a alternativa para Flávio Bolsonaro ter um palanque forte no estado. Levantamento do Paraná Pesquisas mostra que Curi e Greca, caso troquem de partido, teriam mais intenções de votos do que Guto Silva, que é menos conhecido pelo eleitorado e não ultrapassa os 4,5% em nenhum dos cenários avaliados.

Pressão e ultimato do PL

Segundo apuração da Folha de S. Paulo, a campanha de Flávio Bolsonaro teria dado um ultimato para que Ratinho Jr. desistisse da candidatura. Marinho teria usado a disputa no Paraná como forma de pressão, afirmando que, se o governador não abrisse mão da candidatura para apoiar Flávio, o PL iria fazer campanha para outro nome ao governo do estado e romperia o acordo .

Em resposta, Ratinho Jr. teria dito que, se for escolhido pelo PSD e não for ao segundo turno, permanecerá neutro e não apoiará Flávio Bolsonaro. Nesta quinta-feira (12), num gesto visto como aceno, o próprio Flávio comentou uma publicação do governador no Instagram: “Tá parecendo eu nessa foto aí. Bora resgatar nosso Brasil das mãos sujas do PT”, escreveu o senador.

Com informações de Jornal Plural.

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