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Gari que denunciou falta de água e banheiro nas ruas de Chapecó é demitida

Foto: ND Mais

Ingrid Rodrigues, de 31 anos, a gari que se tornou símbolo de um movimento por dignidade no trabalho em Chapecó (SC), foi desligada da empresa responsável pela limpeza urbana na cidade. A demissão ocorreu na quarta-feira (4), dias depois de ela ganhar repercussão nacional ao expor a dificuldade enfrentada por garis para conseguir água e usar banheiros durante a jornada.

Ingrid estava no terceiro mês de trabalho, ainda em período de experiência, quando foi chamada pela secretária da empresa para comunicar o desligamento. “Eles nunca apresentam justificativa. Imagino que tenham medo de que eu puxe uma greve”, disse. A trabalhadora afirmou que se sentiu usada como um “aviso” para as colegas: “Se você pedir direitos e aumento de salário, é rua”.

A mobilização começou após um episódio vivido pela colega Dejanira dos Santos. Durante um dia comum de trabalho, Dejanira buscou um banheiro em um estabelecimento, mas foi informada de que estava interditado. Ao pedir água, ouviu que não havia opção gelada, sendo oferecida apenas água da torneira. Ingrid, que já havia passado por situações semelhantes e as normalizava, decidiu propor uma ação concreta a partir do relato da colega.

A ideia era incentivar o comércio local a fixar cartazes indicando que garis são bem-vindos, com acesso garantido a banheiro e água potável. A proposta ganhou apoio entre as trabalhadoras e rapidamente chegou a empresários da cidade. Fábio Braga, dono de uma hamburgueria, abraçou a causa e passou a defender que o movimento se torne uma prática permanente. “É o mínimo: água e um lugar para ir ao banheiro. Chapecó tem a oportunidade de virar um case de respeito a quem cuida da cidade todos os dias”, afirmou.

Apesar de a empresa responsável afirmar que as garis têm acesso a banheiro, água e estrutura na base operacional, a realidade nas ruas ainda é marcada por episódios de preconceito e recusa de atendimento. “A gente só quer respeito e dignidade. Somos trabalhadoras e também consumidoras”, destacou Ingrid.

O que diz a empresa

A Bonin Serviços e Empreendimentos, responsável pela limpeza urbana de Chapecó, afirmou que a demissão de Ingrid ocorreu por questões operacionais durante o período de experiência. Um representante da empresa disse que a rescisão não tem relação com a mobilização e que a profissional “deixou a desejar na execução do serviço”. Ele afirmou ainda que a empresa apoia o movimento das garis e que a grande maioria do comércio — mais de 90% — já cede espaço para os funcionários usarem banheiros.

Dejanira dos Santos, que inspirou a campanha, deixou a função por vontade própria e hoje atua em outra área, segundo a empresa. O movimento, no entanto, segue crescendo com o apoio de trabalhadores e empresários, com a proposta de que o acolhimento às garis se torne uma prática permanente no comércio chapecoense.

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