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Academia usava em um dia carga de cloro equivalente a uma semana, diz delegado sobre morte de aluna

Foto: Montagem/g1/Reprodução/TV Globo

A investigação sobre a morte de Juliana Faustino Bassetto, de 33 anos, após uma aula de natação na C4 Gym, na Zona Leste de São Paulo, revelou que a quantidade de cloro aplicada na piscina em um único dia equivalia à carga recomendada para uma semana em estruturas do mesmo porte. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelo delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas).

Juliana morreu no sábado (7) após passar mal durante a atividade. Outras seis pessoas também apresentaram sintomas de intoxicação, e três delas precisaram ser internadas, incluindo o marido da vítima. A suspeita da Polícia Civil é de que os banhistas foram intoxicados por cloro ou pela combinação inadequada de produtos químicos. O laudo pericial que poderá confirmar a causa ainda não foi concluído.

Manobrista sem qualificação manipulava produtos

Câmeras de segurança da academia flagraram uma fumaça branca saindo de um balde com a mistura química instantes antes do início da aula. As imagens também mostram as vítimas pedindo ajuda após começarem a passar mal.

Em depoimento, o manobrista Severino José da Silva afirmou que realizava a limpeza e manutenção da piscina seguindo ordens enviadas por WhatsApp por um dos sócios. A polícia não responsabilizou criminalmente o funcionário, considerando que ele foi orientado pelos proprietários e não tinha qualificação técnica para o manuseio dos produtos. “Ele foi manipulado pelos sócios da empresa”, afirmou o delegado.

Indiciamento por dolo eventual

A Polícia Civil indiciou os três sócios da C4 Gym — Cezar Augusto Miguelof Terração e os irmãos Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz — por homicídio com dolo eventual, quando o agressor assume o risco de matar. O Ministério Público concordou com o pedido de prisão temporária, e a Justiça decidirá sobre a decretação da medida.

Segundo as investigações, os empresários tentaram interferir na apuração: atrasaram o depoimento do manobrista ao enviar outro funcionário em seu lugar e tentaram ocultar a existência de um segundo profissional responsável pela manutenção.

A defesa dos sócios declarou que eles estão colaborando com as investigações e manifestou indignação com o indiciamento antes da conclusão dos laudos periciais.

A academia foi interditada pela prefeitura. Em entrevista à TV Globo, a mãe de Juliana, Nívea Faustino Basseto, desabafou: “Parece que eu tô vivendo um pesadelo. Ela perdeu a vida por irresponsabilidade de uma pessoa”.

Com informações de G1.

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