A aprovação, já no início da noite desta segunda-feira (2), de um pacote de projetos que amplia a Câmara de Vereadores, aumenta salários e retoma benefícios financeiros deixou claro qual foi a primeira grande pauta do Legislativo de Sarandi em 2026. Mais do que o conteúdo das propostas, a velocidade e a ordem das decisões chamaram atenção e passaram a ser o principal ponto de debate na cidade.
Em sua primeira sessão ordinária do ano, os vereadores aprovaram, em primeira discussão, mudanças estruturais que só entram em vigor a partir de 2029, mas que foram definidas pelos atuais parlamentares. Entre elas, está a ampliação do número de cadeiras na Câmara, que passará de 10 para 13 vereadores na próxima legislatura, aumentando de forma permanente o custo do Legislativo municipal.
Na mesma sessão, avançou o projeto que reajusta em 50% os subsídios dos futuros vereadores, elevando o salário mensal de R$ 11,1 mil para R$ 16,7 mil, além da criação do pagamento de 13º salário e férias. As propostas foram aprovadas com maioria simples, enquanto apenas dois vereadores votaram contra todos os projetos considerados centrais.
O pacote incluiu ainda o reajuste dos subsídios do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, também com validade a partir de 2029, além da retomada do pagamento de diárias aos vereadores, benefício que havia sido extinto em 2019. As medidas foram votadas em sequência, sem que temas ligados a saúde, bairros, transporte ou serviços públicos entrassem no centro do debate.
Embora o Tribunal de Contas do Paraná já tenha entendimento consolidado de que a concessão de 13º salário e férias a vereadores é legal quando fixada para a legislatura seguinte, a votação em Sarandi reacendeu a discussão sobre prioridades políticas e timing. Isso porque, enquanto servidores municipais receberam neste ano um ganho real de apenas 0,36%, o Legislativo aprovou reajustes expressivos para cargos eletivos e ampliou sua própria estrutura.
Nada ainda está definitivamente concluído, já que os projetos seguem para segunda votação. Mas a primeira mensagem de 2026 já foi dada. E, mais do que surpresa, ela provocou um questionamento que permanece no centro do debate público: em um cenário de recursos limitados e demandas crescentes, quem entrou primeiro na fila das decisões políticas em Sarandi foi o próprio bolso dos vereadores e não as demandas da população.















