DESTAQUES DO DIA PARANÁ POLICIAL REGIÃO SEGURANÇA ÚLTIMA HORA

Denúncia na Corregedoria, ameaças e execução: homem é morto dois dias após relatar perseguição policial em Curitiba

Foto: Reprodução

A morte de Maicon Augusto Rocha dos Santos, de 43 anos, registrada no domingo (25), levanta uma sequência de fatos graves que agora são acompanhados com atenção pelas autoridades. Segundo a família, Maicon vinha sofrendo ameaças desde uma abordagem policial ocorrida em dezembro de 2025, no bairro Tatuquara, em Curitiba, e havia procurado a Corregedoria da Polícia Militar apenas dois dias antes de ser executado.

De acordo com os relatos, em 16 de dezembro de 2025, Maicon denunciou que policiais militares teriam invadido sua casa sem mandado, promovido agressões, revirado o imóvel e levado ele, a esposa e o filho recém-nascido. A partir desse episódio, conforme a família, o clima passou a ser de medo constante. A mãe de Maicon afirmou que as ameaças se intensificaram nos dias que antecederam o crime, o que motivou o filho a procurar a Corregedoria Geral da PM na sexta-feira anterior ao homicídio.

Ela fez questão de ponderar que não atribui a autoria do crime a ninguém de forma direta, mas destacou a sequência dos acontecimentos recentes. Segundo a família, Maicon relatava ameaças vindas de diferentes situações, incluindo conflitos envolvendo a chácara onde morava e também episódios ligados à abordagem policial denunciada anteriormente. Descrito como alguém de rotina simples, Maicon vivia em uma propriedade rural, onde cuidava de animais e mantinha sua principal fonte de sustento e vínculo afetivo.

Ainda conforme a mãe, a sensação de insegurança era tamanha que, mesmo após o nascimento do filho, a família evitava que Maicon fosse sozinho até a chácara. Ele costumava ir acompanhado para alimentar os animais, por receio das ameaças que dizia estar sofrendo, embora não soubesse identificar com precisão todos os responsáveis.

Na denúncia feita em dezembro, Maicon relatou momentos de terror durante a ação policial. Segundo ele, os agentes entraram na propriedade armados, sem apresentar mandado, o agrediram fisicamente, teriam agredido também a esposa, que estava em período pós-parto, e expuseram o bebê de apenas sete dias a uma situação de risco. Ele afirmou ainda que equipamentos da casa, como câmeras de segurança, teriam sido danificados ou levados, e que uma faca de cozinha foi apreendida para justificar a abordagem.

No relato, Maicon disse que foi conduzido algemado, ferido e descalço, junto com a esposa e o filho, sendo deixado posteriormente na rua. As declarações foram registradas e, à época, ganharam repercussão pública.

Procurada novamente após o assassinato, a Polícia Militar informou que não irá se manifestar sobre o caso neste momento. Em dezembro, quando a denúncia veio a público, a corporação divulgou nota afirmando que a ocorrência seria apurada por meio de procedimento administrativo. Na versão oficial apresentada então, a PM alegou que a equipe foi acionada para atender um desentendimento entre vizinhos, que houve resistência durante a abordagem e que foi utilizado uso moderado da força para a condução do envolvido.

A execução de Maicon, ocorrida poucos dias após a ida à Corregedoria, agora amplia a gravidade do caso. As circunstâncias do homicídio, as ameaças relatadas pela família e a denúncia anterior contra policiais deverão ser analisadas pelas autoridades competentes no curso das investigações.

Com informações de Banda B.

Sending
User Review
0/10 (0 votes)