A Polícia Civil de Iporã concluiu o inquérito sobre a morte de Danilo Roger Bido Ferreira, esfaqueado em 31 de agosto, e indiciou Diego Augusto de Lima Santos, de 24 anos, por homicídio qualificado e fraude processual. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que tem cinco dias para decidir sobre a denúncia. O investigado está preso desde 5 de novembro.
Segundo a investigação, o avanço do caso decorreu de um conjunto de provas digitais e periciais. Com autorização judicial, os policiais clonaram o chip do número de Danilo para acessar mensagens, quebraram o sigilo de uma rede social, cruzaram dados de Estações Rádio Base na área do crime e recuperaram a Linha do Tempo do Google do suspeito após a prisão. As imagens de câmeras de segurança mostram a vítima encontrando um homem e seguindo rumo à zona rural. A perícia encontrou impressões digitais de Diego na porta traseira do carro de Danilo, e os registros de localização apontam que ambos estiveram no mesmo ponto na madrugada do homicídio.
O caso começou na madrugada de 31 de agosto, quando Danilo saiu de casa de pijama dizendo à mãe que buscaria um carregador na casa de uma amiga. O corpo foi localizado horas depois em uma estrada rural. Laudo da Polícia Científica indica 18 facadas. Em meio às primeiras diligências, três amigos chegaram a ser considerados suspeitos. Um deles foi preso e liberado posteriormente, após a investigação descartar vínculo com o crime. A Polícia Civil ressalta que o início do trabalho foi marcado por escassez de testemunhas e múltiplas hipóteses paralelas até a identificação do autor confesso.
Além do indiciamento pela morte de Danilo, a polícia atribui a Diego outros dois homicídios em Iporã em 2025, contra José Antônio em 13 de março e contra Gilberto Lucca em 4 de setembro, ambos em situação de rua. O próprio investigado afirmou ter cometido três mortes, mas a corporação confirma a autoria apenas nesses dois casos adicionais e não o classifica como serial killer. Esses fatos tramitam em inquéritos distintos.
A defesa do investigado sustenta que ele tem diagnóstico de esquizofrenia paranoide, em tratamento desde 2007, e informou que requer a instauração de incidente de insanidade mental para avaliar a capacidade de compreensão e autodeterminação do réu à época dos fatos e no presente. Familiares do suspeito, segundo a defesa, prestaram depoimentos e disseram apoiar o esclarecimento completo do caso. A família de Danilo afirma que o conjunto probatório é robusto e que seguirá acompanhando cada etapa no Judiciário para buscar a responsabilização nos termos da lei.
Com o inquérito concluído e remetido ao Ministério Público, o caso entra na fase decisória sobre eventual denúncia. Até eventual sentença, valem as garantias do devido processo legal e da presunção de inocência.
Com informações de G1.















