A Microsoft anunciou nesta quinta-feira (25) o cancelamento de contratos com o Ministério da Defesa de Israel, após a publicação de uma reportagem do jornal The Guardian que revelou o uso de um software da big tech em operações de vigilância em massa de palestinos.
Em carta enviada aos funcionários, o presidente da Microsoft, Brad Smith, confirmou que a empresa encontrou “elementos” que corroboram a denúncia.
“As medidas que estamos tomando são para garantir a conformidade com nossos termos de serviço, com foco em assegurar que nossos serviços não sejam usados para vigilância em massa de civis”, afirmou.
Smith ressaltou, no entanto, que a decisão não afeta o trabalho da empresa na proteção cibernética de Israel e outros países do Oriente Médio. Ele também reafirmou que a Microsoft não fornece tecnologia para vigilância em massa e que essa política é aplicada em todo o mundo.
Reportagem do The Guardian
Em agosto, o jornal britânico revelou que Israel usava a nuvem Azure da Microsoft para armazenar dados de vigilância em larga escala, incluindo milhões de ligações telefônicas diárias feitas por palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Segundo a apuração, o sistema tinha capacidade de registrar até 1 milhão de chamadas por hora, sendo utilizado para planejamento de operações militares e ataques aéreos.
Críticas de especialistas
Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da UFABC e pesquisador de tecnologias digitais, a nota da Microsoft não esclarece se existem mecanismos seguros capazes de impedir o uso militar indevido de seus serviços.
“A Microsoft e outras big techs já foram denunciadas por fornecerem sistemas de inteligência artificial voltados à segurança e defesa. A empresa sustenta negativas até que um vazamento a obrigue a admitir o envolvimento”, afirmou.
Amadeu ainda destacou que a Inteligência Artificial vem sendo usada como ferramenta de guerra, especialmente em Gaza, considerada um “laboratório” para sistemas que cruzam dados de redes sociais, localização geográfica e telefonia para identificar supostos militantes ou simpatizantes do Hamas.
A discussão sobre o papel das gigantes da tecnologia em conflitos armados ganhou força com denúncias da ONU. Em julho, a relatora especial para os Direitos Humanos na Palestina, Francesca Albanese, afirmou que empresas como Microsoft, Alphabet (Google) e Amazon lucram com a ocupação ilegal israelense e operações militares em Gaza.
Segundo Albanese, essas companhias estariam integradas ao “complexo militar-industrial-dataficado”, apoiando direta ou indiretamente ações que resultam em violações de direitos humanos.
Com informações de Agência Brasil.















