Jovem viaja 100 km para terminar namoro e devolver caminhonete, mas é morta na frente do irmão e de uma amiga

Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, havia relatado agressões e ameaças do namorado, um pecuarista de 62 anos. Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que está foragido.
Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta após viajar aproximadamente 100 quilômetros para devolver uma caminhonete ao namorado, o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem pretendia encerrar o relacionamento. O crime aconteceu em Rifaina, no interior de São Paulo, na terça-feira (27), diante do irmão e de uma amiga da vítima.
A jovem saiu de Perdizes, em Minas Gerais, acompanhada pelo irmão e por uma amiga, que seguia em outro veículo para garantir o retorno dos três. Priscila havia relatado agressões e ameaças de morte atribuídas ao namorado e tinha medo de encontrá-lo sozinha.
Na sexta-feira (23), quatro dias antes do crime, ela contou ter sido agredida pelo pecuarista. Também afirmou que ele teria contratado pessoas para monitorar seus movimentos em Minas Gerais.
O encontro ocorreu na entrada de uma fazenda, no quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334). Segundo as investigações, Priscila e João Roberto começaram a discutir por questões envolvendo aparelhos celulares e ciúmes.
O irmão da vítima relatou à Polícia Civil que ouviu Priscila dizer que queria ir embora e não desejava continuar o namoro. Durante o desentendimento, o pecuarista teria sacado uma arma e atirado contra ela.
Testemunhas também afirmaram que o suspeito apontou a arma na direção do irmão da jovem antes de fugir utilizando a caminhonete que havia acabado de receber.
Priscila foi socorrida pelo irmão e levada a uma unidade de saúde de Rifaina, mas não resistiu ao ferimento.
Justiça decreta prisão preventiva de suspeito
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso como feminicídio e solicitou a prisão preventiva de João Roberto Bolelli.
O pedido foi aceito na quarta-feira (28) pelo juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, da Vara Única de Pedregulho.
Na decisão, o magistrado considerou o histórico de violência atribuído ao investigado, a gravidade do caso e o risco de interferência na apuração, especialmente em relação às testemunhas.
O juiz também destacou que o pecuarista deixou o local após o crime e não havia sido localizado pelas autoridades.
Até a última atualização das informações, João Roberto permanecia foragido.
Pecuarista já havia sido condenado por violência contra mulher
O suspeito possui antecedentes relacionados à violência doméstica.
Em junho de 2018, João Roberto foi preso preventivamente após descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira, com quem havia mantido um relacionamento durante cinco anos.
Na ocasião, ele foi encaminhado à Penitenciária de Franca, em São Paulo, e posteriormente colocado em liberdade mediante fiança.
Em setembro daquele ano, a ex-companheira voltou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher de Franca para denunciar perseguições e ameaças de morte.
O caso resultou em uma condenação, em dezembro de 2021, a três meses e 15 dias de detenção em regime aberto. A sentença foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022.
Os antecedentes do pecuarista também incluem uma condenação de outubro de 2020 por contravenção penal de vias de fato, relacionada a agressões ocorridas em dezembro de 2017.
Segundo o delegado Fábio Branquinho, responsável pelas investigações, o histórico de violência doméstica do suspeito é considerado na apuração do feminicídio.
A Polícia Civil continua trabalhando para localizar João Roberto Bolelli e esclarecer todas as circunstâncias da morte de Priscila.
Com informações de G1.
