Flávio Bolsonaro foge aos Estados Unidos, se declara presidente eleito e acusa fraude nas eleições

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Derrotado por Lula no segundo turno, senador divulgou carta nesta quarta-feira (28) em que contesta o resultado eleitoral, critica ministros do STF e afirma que pretende liderar a oposição do exterior.

O senador Flávio Bolsonaro publicou uma carta nesta quarta-feira (28), após desembarcar nos Estados Unidos, na qual se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), o parlamentar afirma que houve fraude na votação e acusa integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguição política.

No documento, Flávio agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por recebê-lo no país, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio. O senador afirma que deixou o Brasil com a família por temer medidas judiciais contra ele.

Uma das principais acusações envolve a decisão que permitiu a prorrogação da votação até as 19h em determinados locais. Flávio atribui ao ministro Cristiano Zanin, do STF, a responsabilidade pelo aumento de mais de 10 milhões de votos obtidos por Lula entre o primeiro e o segundo turno.

A alegação, porém, não corresponde aos números informados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os dados apresentados, apenas cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h, quantidade muito inferior à diferença mencionada pelo senador.

Além disso, tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro solicitaram ao TSE a ampliação do horário de votação no domingo. A participação das duas campanhas no pedido não foi mencionada na carta.

Senador acusa ministros do STF de perseguição

Flávio também dirige críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem atribui uma suposta tentativa de apreensão de seu passaporte após o resultado eleitoral.

O senador afirma que a medida faria parte de um plano de perseguição política e sustenta que poderia ser submetido a outras restrições judiciais. Ele não apresenta, na carta, comprovação das acusações.

Flávio reconhece que não existe mandado de prisão contra ele, mas afirma que decidiu viajar aos Estados Unidos para evitar uma eventual sequência de medidas judiciais.

O parlamentar também acusa integrantes do STF de atuar politicamente contra sua família e compara sua saída do país à trajetória de figuras históricas que viveram no exílio.

Entre os nomes citados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de opositores do governo venezuelano.

Flávio diz que pretende comandar oposição dos Estados Unidos

Apesar de ter deixado o Brasil, o senador afirma que continuará atuando politicamente e pretende liderar a oposição ao governo Lula a partir do território norte-americano.

Na carta, ele dirige uma mensagem a parlamentares e governadores aliados, especialmente ao senador Rogério Marinho, citado como seu candidato à presidência do Senado.

Flávio também anuncia que pretende apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização política contra o governo reeleito, por meios que descreve como pacíficos e legítimos.

O parlamentar rejeita a interpretação de que tenha fugido do país e afirma que sua saída foi uma decisão necessária para continuar exercendo a liderança política.

Acusações não alteram resultado eleitoral

Embora Flávio Bolsonaro se apresente como vencedor, o resultado oficial das eleições aponta a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

A carta reúne acusações de fraude, abuso de poder e perseguição judicial, mas não apresenta provas capazes de demonstrar que a votação tenha sido manipulada.

O aumento da votação de Lula entre os dois turnos, apontado pelo senador como indício de irregularidade, não constitui, por si só, evidência de fraude. A comparação entre turnos envolve eleitorados, comparecimento e transferência de votos que podem variar de uma etapa para outra.

Flávio encerra o documento afirmando que continuará contestando o resultado e que pretende manter contato com seus apoiadores a partir dos Estados Unidos.