Lula autoriza no TSE abertura de seus sigilos e condiciona medida a Flávio Bolsonaro fazer o mesmo

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Pedido abrange os últimos oito anos e inclui parentes e empresas dos dois candidatos; relator é o ministro André Mendonça


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, protocolou nesta terça-feira (20) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido em que autoriza a abertura dos seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos, além dos de sua esposa e dos filhos. A autorização tem uma condição: o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), precisa fazer o mesmo.

A petição foi distribuída por sorteio ao ministro André Mendonça, que vai relatar o caso. Lula também apresentou manifestação com o mesmo conteúdo ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido formaliza um desafio feito por Lula no debate da Band, no domingo (18). Na segunda-feira (19), em agenda de campanha em Porto Alegre (RS), ele repetiu a proposta. No debate, Flávio disse não ter “absolutamente nada a esconder”, mas não respondeu se aceitaria liberar os dados.

Em entrevista em São Luís (MA), nesta terça, Lula comentou o envio do documento ao TSE:

“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele.”

O que o pedido prevê

A defesa de Lula propõe que os dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos sejam divulgados até esta quarta-feira (21), pelo sistema DivulgaCandContas, do TSE, ou por outro site de acesso público. Para os advogados, a divulgação permite que o eleitor tenha essas informações antes de decidir o voto.

Do lado de Lula, a abertura alcança:

  • Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa;
  • Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
  • Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;
  • Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho, alvo de investigação da Polícia Federal;
  • Sandro Luís Lula da Silva, filho;
  • Luís Cláudio Lula da Silva, filho.

Os filhos concordaram com a medida. A defesa anexou ao pedido procurações assinadas por eles autorizando a quebra dos sigilos.

A petição também inclui empresas em que os candidatos sejam sócios ou administradores, ou em cujas contas apareçam como responsáveis financeiros ou “usuários master”. No caso de Lula, a empresa citada é a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual ele é sócio não administrador.

O termo “usuário master” remete a reportagens segundo as quais Flávio foi cadastrado com esse perfil na conta bancária de uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.

Do lado de Flávio, o pedido abrange o candidato e os seguintes familiares:

  • Jair Bolsonaro, pai;
  • Rogéria Bolsonaro, mãe;
  • Carlos Bolsonaro, irmão;
  • Eduardo Bolsonaro, irmão;
  • Jair Renan Bolsonaro, irmão;
  • Fernanda Bolsonaro, esposa.

E as empresas:

  • Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;
  • All In One Corretora de Seguros Ltda.;
  • Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda.;
  • Bolsonaro Digital Ltda.;
  • Alcazar Holdings, de Willer Tomaz, dona da conta em que Flávio aparece como “usuário master”.

Campanha cita Constituição

O secretário da campanha de Lula, Éden Valadares, disse que a proposta tem base na Constituição, que exige probidade e moralidade na administração pública e prevê a análise da vida pregressa para o exercício de mandatos.

“Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme”, afirmou.

Inquéritos no STF

Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no Supremo. Um apura suspeita de lavagem de dinheiro e examina a relação do senador com Willer Tomaz. O outro investiga o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, e analisa negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção.

A defesa do senador nega irregularidades, afirma que ele não tem envolvimento em ilícitos e critica a divulgação de documentos sigilosos durante a campanha.

Com informações de G1.

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