Três crianças morreram atingidas por traves no Paraná em 2026; projeto para obrigar fixação aguarda votação há oito meses

A morte de Heloise da Silva Cruz, de 3 anos, atingida por uma trave de futebol durante uma festa do Dia das Crianças em Imbaú, nos Campos Gerais do Paraná, reacendeu o debate sobre a segurança dessas estruturas esportivas. Enquanto o estado registra três mortes de crianças em acidentes semelhantes somente em 2026, um projeto de lei que prevê regras obrigatórias para instalação e fixação de traves aguarda votação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A proposta foi apresentada em 19 de fevereiro, dez dias depois da morte de um menino de 7 anos atingido por uma trave em uma escola municipal de Marquinho, na região central do estado.
Desde 2022, ao menos sete crianças e adolescentes morreram em ocorrências desse tipo no Paraná, segundo levantamento divulgado sobre os casos.
Projeto está pronto para votação
O projeto de lei nº 153/2026, de autoria dos deputados estaduais Gilson de Souza, Cristina Silvestri e Ana Júlia, estabelece medidas de segurança para instalação, fixação, manutenção e uso de traves de futebol e futsal em espaços públicos e privados destinados à prática esportiva.
A proposta recebeu o projeto nº 199/2026, apresentado posteriormente pela deputada Cristina Silvestri, que trata de objetivos semelhantes. As duas iniciativas passaram a tramitar conjuntamente sob o número 153/2026.
O texto busca estabelecer regras para evitar que as estruturas tombem e atinjam pessoas, especialmente crianças que frequentam campos e quadras esportivas.
Questionada sobre a demora para a votação, a Alep informou que a proposta segue o rito legislativo regular e está dentro dos prazos regimentais.
Segundo a Assembleia, o projeto já recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), passou pelas comissões temáticas e está apto a ser votado em Plenário. A instituição afirmou que a inclusão na pauta deve ocorrer nos próximos dias, mas não informou uma data específica.
Norma técnica não trata especificamente de traves
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) informou que a norma NBR 16071 estabelece requisitos de segurança para playgrounds de uso coletivo, mas não trata especificamente da fixação de traves de futebol ao solo.
A entidade também esclareceu que não possui atribuição de fiscalização.
Segundo a ABNT, a instalação, a fixação, a inspeção e a manutenção dos equipamentos esportivos são responsabilidades dos agentes envolvidos, observadas as exigências legais e regulamentares aplicáveis. A fiscalização cabe aos órgãos competentes, conforme suas atribuições.
A associação ressalta que as traves devem apresentar estabilidade e condições adequadas de segurança para prevenir tombamentos. Equipamentos que ofereçam riscos não devem permanecer disponíveis para uso, principalmente em locais frequentados por crianças.
Menina morreu durante festa comunitária
O caso mais recente aconteceu no domingo (11), durante uma festa comunitária em comemoração ao Dia das Crianças no Campo do Bonifácio, em Imbaú.
Segundo a Polícia Civil, a trave caiu sobre a região abdominal de Heloise. A menina foi socorrida pelos pais e encaminhada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente e informou que testemunhas serão ouvidas para auxiliar na apuração de eventuais responsabilidades.
Heloise foi sepultada na segunda-feira (12), no Cemitério São José.
Após a morte, a Prefeitura de Imbaú manifestou pesar e cancelou a festa do Dia das Crianças que realizaria na segunda-feira. A administração municipal informou que uma nova data será divulgada posteriormente.
A investigação sobre o acidente e a tramitação do projeto de lei seguem em andamento.
Com informações de G1.
