Inquérito aponta excesso de velocidade e falhas no caminhão em acidente que matou 23 no Paraná

A Polícia Civil do Paraná concluiu a investigação sobre o acidente entre um caminhão e um micro-ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Imbituva que deixou 23 mortos na BR-373. Segundo o inquérito, a tragédia foi provocada por uma combinação de fatores envolvendo os dois veículos.
A colisão aconteceu na madrugada de 19 de agosto, no km 209 da rodovia, entre Imbituva e Ipiranga, nos Campos Gerais do Paraná. O caminhão invadiu a pista contrária e bateu de frente com o micro-ônibus, que transportava pacientes para atendimento médico em Curitiba e na Região Metropolitana.
Das 28 pessoas envolvidas no acidente, 23 morreram e cinco sobreviveram.
Segundo a delegada Ingrid Priotto, responsável pelo inquérito, os dois motoristas trafegavam acima da velocidade permitida. A investigação também identificou problemas de manutenção no caminhão e indícios de que o motorista poderia estar utilizando o celular antes da colisão.
Como os dois condutores morreram no acidente, não haverá responsabilização criminal. As provas reunidas, porém, poderão ser utilizadas pelas famílias das vítimas em eventuais ações de indenização na esfera cível.
Caminhão estava acima do limite e tinha problemas nos freios
De acordo com a Polícia Civil, dados de telemetria indicaram que o caminhão trafegava a 80 km/h momentos antes da colisão. Naquele trecho da BR-373, o limite de velocidade era de 60 km/h.
As perícias também apontaram desgaste em componentes do sistema de frenagem, o que teria reduzido a eficiência dos freios.
Outro elemento analisado foi o celular do caminhoneiro. Segundo a investigação, o motorista acessou o WhatsApp cerca de 17 minutos antes da batida.
Para a delegada, é plausível que ele estivesse distraído pelo aparelho no momento em que invadiu a pista contrária. A investigação, entretanto, trata essa possibilidade como uma conclusão baseada no conjunto de elementos reunidos.
Micro-ônibus também estava acima da velocidade permitida
A investigação também apontou excesso de velocidade por parte do motorista do micro-ônibus.
Segundo o laudo obtido a partir do cronotacógrafo digital, o veículo estava a 101 km/h no momento do impacto, enquanto o limite da rodovia era de 60 km/h.
A velocidade também foi relacionada ao depoimento de um dos sobreviventes. Conforme a Polícia Civil, o passageiro relatou que o micro-ônibus havia deixado Imbituva com cerca de 20 minutos de atraso e que o motorista conduzia o veículo de maneira apressada.
Para a delegada, a velocidade do micro-ônibus contribuiu para a gravidade da colisão.
Acidente matou 22 passageiros e motorista do caminhão
O micro-ônibus transportava 27 pessoas, entre pacientes e acompanhantes, além do motorista. Vinte e duas pessoas que estavam no veículo morreram.
O acidente também matou o motorista do caminhão, que era morador de Castro.
Entre as vítimas estavam duas crianças e 21 adultos. Cinco pessoas que estavam no micro-ônibus sobreviveram, entre elas um menino de 6 anos, uma mulher de 26 anos e três homens, de 22, 49 e 50 anos.
Todos os sobreviventes ficaram feridos, receberam atendimento médico e posteriormente tiveram alta.
Famílias podem usar provas em ações de indenização
Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil não apontou responsabilização criminal, já que os dois motoristas envolvidos diretamente na colisão morreram.
A delegada destacou, porém, que o conjunto de provas periciais e as conclusões da investigação poderão ser utilizados em processos na esfera cível.
O material poderá auxiliar eventuais ações de reparação e indenização apresentadas pelas vítimas sobreviventes e pelos familiares das pessoas que morreram na tragédia.
Com informações de G1.
