Senador eleito é contra fim da escala 6×1 e defende jornadas de até 16 horas; no Senado, terá salário de R$ 46 mil, descanso aos sábados e domingos e sessões de somente 4h30

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Foto: Fato MT

O senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), se posicionou contra o fim da escala 6×1 e defendeu que trabalhadores brasileiros tenham liberdade para cumprir jornadas de até 16 horas por dia. A declaração foi dada nesta segunda-feira (5), durante entrevista, quando Mendes citou brasileiros que trabalham nos Estados Unidos em jornadas de 10, 12, 14 e até 16 horas.

Mendes afirmou que considera rígidas as regras trabalhistas brasileiras e defendeu uma revisão da legislação para ampliar a liberdade na relação entre trabalhadores e empresas. Segundo ele, brasileiros que trabalham nos Estados Unidos conseguem aumentar seus ganhos justamente por cumprirem jornadas mais longas.

Ao comparar a situação com o Brasil, o senador eleito criticou o fato de um trabalhador que cumpra uma jornada superior aos limites legais poder gerar responsabilização para a empresa. Ele defendeu que as regras sejam flexibilizadas para permitir que trabalhadores tenham maior autonomia sobre quanto querem trabalhar e ganhar.

O que diz a legislação atual

Atualmente, a Constituição Federal estabelece como duração normal do trabalho o limite de oito horas por dia e 44 horas por semana. Também prevê repouso semanal remunerado e adicional mínimo de 50% para o serviço extraordinário.

A proposta em discussão no Senado para acabar com a escala 6×1 prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além de dois dias de descanso por semana. O texto começou a ser debatido pelo Senado nesta terça-feira (6).

Mauro Mendes se posicionou contra essa mudança e defendeu uma maior liberdade para a definição das jornadas.

O mandato que Mendes vai assumir

Mauro Mendes foi eleito senador por Mato Grosso no primeiro turno das eleições de 2026, com 1.187.352 votos. Ele assumirá o mandato em 1º de fevereiro de 2027 e permanecerá no cargo por oito anos.

O subsídio mensal de um senador é atualmente de R$ 46.366,19, conforme a tabela oficial de remuneração do Senado.

A atividade parlamentar não segue a jornada prevista pela CLT para trabalhadores. O Regimento Interno do Senado estabelece que as sessões do Plenário começam às 14h de segunda a quinta-feira e às 9h nas sextas-feiras, com duração máxima de quatro horas e 30 minutos, salvo prorrogação.

O calendário de sessões ordinárias do Plenário, portanto, se concentra de segunda a sexta-feira. Aos sábados e domingos não há sessões ordinárias previstas nesse calendário.

Isso não significa que o senador tenha uma jornada formal de quatro horas e 30 minutos por dia. A atividade parlamentar também envolve reuniões de comissões, encontros políticos, análise de projetos e outras atividades relacionadas ao mandato.

Salário e jornada entram no debate

A discussão ganha contornos objetivos quando as duas situações são colocadas lado a lado.

Para os trabalhadores submetidos à legislação trabalhista, a duração normal é limitada a oito horas diárias e 44 horas semanais, enquanto Mendes defende maior liberdade para jornadas que podem chegar a 16 horas por dia.

No cargo que assumirá, o senador terá atualmente um subsídio mensal de R$ 46.366,19 e participará de uma atividade parlamentar cujo calendário de sessões do Plenário ocorre de segunda a sexta-feira, com sessões de duração máxima regimental de 4h30, salvo prorrogação.

Mendes assumirá o mandato em 2027 justamente quando o Senado estará discutindo mudanças nas regras de jornada de trabalho. Sua posição contrária ao fim da escala 6×1 e favorável à flexibilização das jornadas deverá fazer parte desse debate na nova legislatura.

Com informações de PNB Online.

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