TJPR anula júri que condenou homem a 48 anos por mandar matar casal após festa neonazista

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) anulou, nesta quinta-feira (1º), o julgamento que condenou Ricardo Ferreira Barollo a 48 anos e 9 meses de prisão pela morte de um casal em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Com a decisão, ele deverá ser colocado em liberdade e será submetido a um novo julgamento pelo Tribunal do Júri.
Bernardo Pedroso, de 24 anos, e Renata Waechter Ferreira, de 21, foram mortos em 2009, após saírem de uma festa realizada em Campina Grande do Sul que tinha como tema o aniversário de Adolf Hitler.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o crime teria sido motivado por uma disputa pelo comando de um grupo neonazista. A investigação apontou Barollo como mandante das mortes.
Ele foi condenado em maio de 2025, mas a defesa recorreu da decisão. Os advogados alegaram que parte das provas apresentadas aos jurados havia sido produzida em outro processo, sem a participação da defesa de Barollo e sem que as testemunhas fossem ouvidas novamente durante o julgamento.
As declarações foram exibidas em vídeo aos jurados. A defesa questionou o procedimento durante o julgamento e pediu que os corréus fossem ouvidos diretamente pelo Conselho de Sentença, mas o pedido foi negado.
Ao analisar o recurso, o TJPR entendeu que houve prejuízo às garantias do contraditório e da ampla defesa e determinou a anulação do julgamento. O tribunal também concluiu que não houve chamada “nulidade de algibeira”, pois a defesa havia contestado o uso das provas durante o processo, e não apenas depois da condenação.
Com a decisão, Barollo deverá ser julgado novamente por outro Conselho de Sentença.
A defesa afirmou que recebeu a decisão de forma positiva e sustentou que o novo julgamento deverá ocorrer com observância das garantias processuais. Já o advogado que representa a família de Renata disse que os familiares receberam a decisão com consternação e que esperam uma nova condenação.
Relembre o crime
Segundo o Ministério Público, Bernardo e Renata deixaram uma festa realizada em uma chácara de Campina Grande do Sul e seguiram de carro acompanhados por um dos envolvidos no crime.
Durante o trajeto, o veículo do casal foi interceptado por outro carro no acostamento, em Quatro Barras. Dois homens encapuzados teriam descido do veículo e efetuado disparos contra as vítimas, que morreram no local.
A investigação apontou que o crime estaria relacionado à disputa pelo controle do grupo neonazista.
Outros envolvidos foram condenados
Em março de 2025, outros dois homens foram condenados pela execução do casal.
Jairo Maciel Fisher recebeu pena de 32 anos e três meses de prisão, enquanto João Guilherme Correa foi condenado a 35 anos e dois meses. Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira foram absolvidos naquele julgamento.
João Guilherme havia fugido antes da sessão do Tribunal do Júri e acabou preso em junho de 2026, na região de Pavia, próxima a Milão, na Itália. A prisão ocorreu por meio de uma ação de cooperação internacional que contou com a participação da Polícia Civil do Paraná.
Ele era procurado por causa da condenação pelas mortes de Bernardo e Renata e também por um processo relacionado a racismo e apologia ao nazismo.
Com informações de G1.
