Médica responsável por UTI pediátrica é denunciada pela morte de seis crianças no Paraná e vai responder por homicídio culposo

Segundo o Ministério Público, profissional teria agido com grave negligência ao deixar de fiscalizar protocolos de higiene e biossegurança; mortes ocorreram após contaminação por bactérias multirresistentes
O Ministério Público do Paraná denunciou uma médica que atuava como diretora técnica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, pela morte de seis crianças que estavam internadas na unidade.
A denúncia foi recebida pela Justiça, e a médica, cujo nome não foi divulgado devido ao sigilo do processo, passou a responder por seis casos de homicídio culposo, quando não há intenção de provocar a morte.
As mortes aconteceram entre maio e julho de 2024. As vítimas tinham idades entre 27 dias e 11 anos. Segundo o Ministério Público, os pacientes morreram após desenvolverem choque séptico e falência múltipla de órgãos em decorrência de uma grave contaminação intra-hospitalar por bactérias multirresistentes.
MP aponta falhas em protocolos de higiene
De acordo com a denúncia, a médica teria deixado de observar regras técnicas relacionadas à sua função e agido com grave negligência ao não fiscalizar e garantir o cumprimento de protocolos básicos de assepsia e biossegurança.
A investigação apontou práticas que, segundo o Ministério Público, contribuíram para criar um ambiente favorável à contaminação cruzada entre os pacientes. Entre as irregularidades citadas estão a reutilização de luvas de procedimento entre pacientes distintos, falhas nos cuidados de higiene e o manuseio inadequado de equipamentos e acessos utilizados no atendimento.
Para o MPPR, a omissão na fiscalização desses procedimentos teria contribuído para a contaminação que antecedeu as mortes das seis crianças. Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu uma indenização mínima de R$ 50 mil para cada uma das famílias afetadas.
Hospital diz que ainda não recebeu citação
Em nota, o Hospital Angelina Caron informou que, até o momento, não havia recebido citação oficial referente ao processo e que, por tramitar sob sigilo judicial, a instituição não teve acesso ao conteúdo completo dos autos.
O hospital afirmou que, assim que for oficialmente citado, prestará os esclarecimentos necessários à Justiça e fornecerá as informações e documentos solicitados para o esclarecimento dos fatos.
A instituição também informou que não se manifestará sobre questões individuais relacionadas à médica denunciada, alegando limites éticos e legais. Segundo o hospital, a assistência aos pacientes da UTI Pediátrica segue normalmente, conforme os protocolos assistenciais, de higiene, segurança e biossegurança estabelecidos pela instituição.
CRM-PR vai instaurar sindicância
O Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que também foi comunicado sobre o caso e deverá instaurar uma sindicância para apurar os fatos e a possível responsabilidade dos profissionais envolvidos.
Segundo o CRM-PR, caso sejam constatadas violações às normas éticas, poderão ser aplicadas as sanções previstas na legislação, de acordo com a gravidade e as circunstâncias que forem apuradas. O procedimento também tramitará sob sigilo.
Com informações de G1.
