Mais um técnico, mais uma demissão: Maringá FC troca de comandante pela terceira vez em pouco mais de um ano

O Maringá FC anunciou na tarde desta segunda-feira (10) a demissão do técnico Moisés Egert. A decisão veio um dia após a derrota por 3 a 0 para o Amazonas, em casa, que tirou o time do G-8 e jogou o Dogão para a 11ª colocação da Série C, com 23 pontos, restando apenas três rodadas para o fim da primeira fase.
Egert chegou ao clube após o Campeonato Paranaense e comandou o time em 18 partidas, com oito vitórias, cinco empates e cinco derrotas – aproveitamento de 53%. Foi eliminado na terceira fase da Copa do Brasil pelo Goiás e agora deixa o cargo na reta final da competição mais importante do ano.
A pergunta que fica, porém, é a mesma que já rondava o clube nas duas últimas trocas: será que o problema é apenas o técnico?
Padrão repetido
Nos últimos 13 meses, o Maringá já trocou de técnico três vezes. Jorge Castilho, o mais vitorioso da história do clube, foi demitido em julho de 2025, após um jejum de 11 jogos sem vencer. Ele estava no cargo desde 2021, acumulava 148 jogos, 70 vitórias e três finais de Campeonato Paranaense. Foi o responsável pelo acesso à Série C e por vitórias históricas, como contra o Flamengo na Copa do Brasil.
Mesmo assim, a diretoria optou por encerrar o ciclo. A justificativa: os resultados não vinham. Castilho saiu com o time na 13ª posição, com 16 pontos, dois acima da zona de rebaixamento.
Veio Rodrigo Chipp. O técnico chegou em agosto de 2025, comandou o time em 12 partidas, com seis vitórias, quatro empates e duas derrotas (aproveitamento de 61%). Ficou até fevereiro de 2026, quando foi demitido após o Maringá fracassar no Paranaense, não conseguir avançar às quartas de final e precisar disputar o descenso.
Agora, Egert é o terceiro a cair no mesmo período. Foram três técnicos, três estilos, três tentativas. E o time segue patinando.
Os números da instabilidade
Enquanto Castilho teve tempo e construiu um trabalho reconhecido, Chipp e Egert tiveram mandatos curtos, 12 e 18 jogos, respectivamente. A média de permanência dos últimos dois técnicos é inferior a seis meses.
No futebol, resultados imediatos são cobrados, mas a troca constante de comandantes também gera desgaste. Cada técnico chega com sua filosofia, mexe no elenco, ajusta peças, e o time recomeça do zero. Em um campeonato curto como a Série C, onde cada jogo vale ouro, esse vai-e-vem pode custar caro.
E o elenco? Será que a mudança de técnico é a única variável? O Maringá tem um bom time? As peças se encaixam? A diretoria tem dado as condições para o trabalho? São perguntas que vão além das escalações e substituições.
O momento atual e as três rodadas que restam
Com 23 pontos, o Maringá está fora do G-8 e precisa vencer os próximos jogos para sonhar com a classificação. O próximo compromisso é domingo (16), fora de casa, contra o Confiança, em Aracaju. O auxiliar Ivan Campanari assume interinamente.
A troca de técnico a três rodadas do fim pode ser vista como um gesto de desespero ou como uma tentativa de dar um choque no grupo. O tempo, porém, é curto. O novo interino terá poucos dias para trabalhar e tentar reverter uma situação que já se arrasta há meses.
Conclusão
Moisés Egert sai com números razoáveis e futebol ruim, que não foram suficientes para segurar o cargo. Chipp saiu com 61% de aproveitamento. Castilho, o mais vitorioso e longevo da história, foi demitido mesmo com uma trajetória de sucesso. Isso mostra que o problema no Maringá pode ser mais profundo do que apenas o nome no banco de reservas.
Trocar técnico é a solução mais fácil. A difícil é ter paciência, planejamento e um projeto de longo prazo. Com três rodadas para o fim e um time que não convence, o Maringá segue sem respostas.
