Mulher de 78 anos que dirigia BMW em acidente que matou adolescente no PR é condenada a pagar R$ 2 milhões em indenização aos pais da vítima

Maria do Carmo Carneiro, de 78 anos, foi condenada na esfera cível a indenizar os pais de um adolescente em mais de R$ 2 milhões. Ela dirigia uma BMW que bateu no carro em que Anthony Pietro, de 14 anos, estava com o pai no dia 24 de novembro de 2024, na rodovia PR-558, em Campo Mourão. O jovem não resistiu aos ferimentos.
A decisão foi do juiz Marco Antonio dos Santos, da Vara Cível de Peabiru. A sentença reconheceu a culpa da motorista pelo acidente com base em laudo pericial que apontou excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas e fortes indícios de embriaguez. A BMW atingiu 137 km/h em uma via com limite de 80 km/h.
O juiz determinou o pagamento de dois milhões de reais por danos morais, divididos entre o pai e a mãe de Anthony, além de trinta e um mil duzentos e cinquenta e sete reais e setenta e seis centavos por danos materiais, referentes a despesas hospitalares e funeral. Foram negados os pedidos de pensão vitalícia e tratamento psicológico, pois a família não dependia financeiramente do adolescente.
A defesa argumentou que a motorista teve a visão ofuscada pelo sol, mas o juiz rejeitou a tese, apontando erros técnicos e contradições com depoimentos de testemunhas. Também foram listados indícios de embriaguez: enfermeiros e o pai de Anthony relataram odor etílico e comportamento alterado. Maria do Carmo se recusou a fazer o teste do bafômetro.
A polícia comprovou que a CNH da mulher estava suspensa por reincidência e acúmulo de infrações graves.
Na esfera criminal, a Justiça determinou que Maria do Carmo seja submetida a júri popular por homicídio doloso com dolo eventual. A defesa recorreu e aguarda nova decisão. O advogado dela informou que não vai se manifestar sobre a condenação.
O advogado da família de Anthony disse que a sentença ainda será analisada e há possibilidade de recurso, além de tratativas para uma composição consensual.
Relembre o acidente
Anthony Pietro e o pai voltavam para Araruna após o adolescente fazer uma prova para ingressar na UTFPR em Campo Mourão. O pai afirmou que não conseguiu desviar da BMW, que estava em alta velocidade e fazendo zigue-zague. O impacto arrancou o motor da BMW e o veículo pegou fogo.
“Ele morreu com o gabarito na mão. Antes, ele falou ‘pai, eu acho que passei’. Ele só queria estudar”, lamentou o pai.
Anthony era tranquilo, gostava de música, violão, guitarra, bateria, skate e futebol. Deixou os pais e uma irmã mais nova.
Com informações de G1.
